Violências contra meninas e mulheres. Precisamos falar sobre isso

Meninas e mulheres com suas histórias marcadas por essas violências.

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Por Fabiano Severino – OPINIÃO

A proposta desta coluna não é focar nas mazelas da humanidade, mas há momentos em que é difícil não falar disso, especialmente após a última semana, na qual acompanhamos três casos que, infelizmente, longe de serem isolados, ocorreram envolvendo casos de violência sexual contra crianças e mulheres. Um de uma menina grávida aos 11 anos que tentava realizar o aborto legal assegurado em lei; outro da atriz Klara Castanho, que relatou uma situação semelhante, mas que fez o processo de doação, também legal; e o do Pedro Guimarães, presidente da Caixa, afastado por denúncias, no plural mesmo, de assédio sexual.

Embora tomem uma proporção de destaque nos noticiários, esses não são casos isolados, nem únicos. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no comparativo entre 2020 e 2021 sobre violência contra crianças e adolescentes, “já no que tange ao estupro de vulnerável, este número sobe de 43.427 para 45.994, sendo que, destes, 35.735, ou seja, 61,3%, foram cometidos contra meninas menores de 13 anos (um total de 35.735 vítimas)”, o que seriam 126 casos por dia, um a cada 11 minutos em 2021. Assédio e importunação sexual somaram 24.131 casos no ano passado, em média 66 por dia e um a cada 22 minutos aproximadamente.

Lembrando que esses dados são referentes a registros oficiais em boletins de ocorrência, o que indica que certamente os casos sejam em maior número. E não são apenas “números”, mas meninas e mulheres com suas histórias marcadas por essas violências, e isso nos torna um dos países mais perigosos e violentos contra esse grupo da população.

Não nos falta legislação tipificando esses crimes, não faltam também relatos e histórico de casos como esses. O que nos leva à pergunta: o que falta para pararmos com isso? Aqui a pergunta é direcionada a nós homens, pois majoritariamente os agressores são homens.

Em que momento aprendemos ser possível desumanizar outra pessoa a ponto de a tratarmos como um objeto de satisfação, empregando sempre violência física e psicológica? Segundo esses estudos, a maioria dos agressores é pessoa próxima, do círculo familiar, que deveria ser de confiança e responsável por proteger a vítima.

É fundamental que tratemos desses temas nas escolas, pois também são nelas que muitos dos casos contra crianças e adolescentes são identificados e por elas denunciados. Mas também é tarefa nossa, de homens principalmente, não perpetuar esse comportamento. Quem nunca ouviu de outros homens relatos de abusos, como situações em que a mulher estava bêbada ou sem condições de decidir? Ou casos em que “se perdeu a cabeça” e acabam em violência? A masculinidade é construída e reproduzida socialmente, e cada geração serve de referência às anteriores, portanto somos nós mesmos resultado do modelo de masculinidade e referência para conservação ou mudança nesse modelo.

O fim dessas violências, e de outras em que homens são os principais agressores, não ocorrerá sem atitudes nossas. Não dá mais para sermos cúmplices ou coniventes.

*Fabiano Severino, pedagogo, e iguaçuense por opção e persistência.
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