Gato siamês: a moda passa, os animais ficam

Siamês é mais uma espécie que de tanto proliferar, virou animal de rua, sendo que antes era comercializado. Foto: Gato Peralta

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Vocês lembram de quando gato siamês era modinha? Era coisa rara, ‘objeto’ de desejo. Há uns 20 ou 30 anos, gato siamês, não era encontrado às pencas, nem ofertado nos bazares virtuais e páginas de ONGs e voluntários. Mas o que anda acontecendo? Por qual motivo que siamês deixou de ser alvo de desejo para ser mais um filhote fofinho, mas que dificilmente encontra um lar ? A resposta é simples: caiu da moda!

WHATSAPP – Assine a nossa linha de transmissão.

TELEGRAM – Entre em nosso grupo.

Os típicos siameses vira-latas, cujos antepassados lhe deram alguns traços característicos da espécie, como os olhos claros, pelagem acinzentada, entre outros. Esses filhotes foram jogados em uma estrada, mas resgatados por voluntários de uma ONG. Foto: Amigos de Patas

Sim, infelizmente, há muito modismo em relação aos animais. Basta aparecer uma raça diferente na internet, na TV, ostentada por algum (a) famoso (a) e pronto. Cai no gosto popular, tão rapidamente quanto cai de moda. Como se fosse uma roupa velha, da outra estação, que não chama mais a atenção, não desperta mais o interesse. Basta lembrar do exemplo de lá de longe, do ano de 1996, quando o filme 101 Dálmatas foi lançado. Depois que o filme saiu de cena, daria pra rodar até outro filme, inspirado em fatos reais: “10 mil Dálmatas, abandonados”. Sim, uma quantidade absurda de animais largados à sua própria sorte pelas ruas.

Mas voltando a falar dos siameses, me lembro de quando eram raros aqui no Brasil. E então, alguém conseguia um filhote, comprava ou ganhava, ou vai lá saber de outros métodos menos éticos. E então, a pessoa via a possibilidade de “tirar filhotes”, fosse para vender ou presentear os amigos. Mas felinos são ligeiros para entrarem no cio e nem sempre dava tempo de escolher um par da mesma raça e lá vinham os vira-latas para miscigenar o sangue dos gatos nobres de olhos azuis, pelagem, branca, acinzentada ou achocolatada. E gato cria em pencas, mal desmamou uma ninhada lá está a gata barriguda novamente. E assim, os gatos que até então pouca gente tinha, popularizaram de tal forma que não houve lar suficiente para abrigar as ninhadas. E quem lucrava com a venda dos filhotes, viu o negócio ir por água abaixo.

Assim como no caso dos siameses, estamos vivendo a moda dos ‘cachorros peludinhos’. E, como escrevi aqui, o reflexo já está aparecendo, pois são animais que exigem muitos cuidados para manter sua aparência e saúde e com a situação econômica ruim, pior para os animais que são tidos como gastos que devem ser cortados.

Todo animal domesticado sofre quando está nas ruas. O tempo, a qualidade de vida, tudo muda. Há gatos que nasceram e cresceram nas ruas que jamais tiveram contato físico com humanos, que nunca receberam um carinho, pois estão sempre na defensiva, com medo, são arredios. Não importa se siamês ou o típico vira-latas, precisamos de políticas públicas para evitar que animais sejam explorados, multiplicados e abandonados. A moda devia ser castrar, chipar, educar e multar! Esse é o caminho para diminuir o sofrimento de animais que não deveriam ser tratados como objetos descartáveis, de outra estação.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail [email protected]

Gostou do texto? Contribua para ampliar o jornalismo em Foz do Iguaçu. ASSINE JÁ

Já escutou o último episódio do GUARÊ, o podcast do H2FOZ? OUÇA AGORA

É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem prévia autorização do H2FOZ.

Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.