Covid-19: um balanço de Foz, Paraná, Brasil e países vizinhos

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Quando se fala da pandemia, há três reações distintas: uns pedem medidas mais severas pra conter a contaminação; outros são favoráveis a que tudo funcione normalmente, até se chegar à “imunidade de rebanho”; e, por fim, há os que se conformam e nem têm opinião.

O diretor da Vigilância Epidemiológica de Foz do Iguaçu, Roberto Doldan, diz que o município vive uma situação semelhante à de julho, mês com mais casos desde o inicio da pandemia. Só que o crescimento da curva, segundo ele, está mais acelerado.

Entre as causas que ele aponta, estão a volta dos turistas e a abertura da fronteira. Ele vê com preocupação as flexibilizações e a vinda de turistas.

No entanto, embora também oficialmente a Prefeitura tenha relacionado o aumento de casos à maior circulação de pessoas, esta semana lançou decreto liberando as atividades em casas noturnas, salões de dança e de bailes. O decreto autoriza ainda o uso de espaços de recreação e de brinquedos coletivos infantis, inclusive em shoppings centers.

Claro que existem regras para o funcionamento, mas é uma flexibilização aparentemente inoportuna.

Ah, sim, eventos sociais com aglomeração de pessoas e que tenham atividades com contato físico, como danças, continuam proibidos, bem como competições esportivas, festas infantis, eventos culturais, festas em chácaras e condomínios.

Foz encerrou a semana – e o mês – com 9.464 casos de covid-19 e 144 mortes. Outubro fechou praticamente com os mesmos números de setembro, apesar de o mês ter começado com queda.

Quadro preparado pela Vigilância Epidemiológica.

No Paraná, diminui média móvel de casos e mortes

Em todo o Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde informa que o mês fechou com 211.245 casos e 5.165 mortos em decorrência da covid-19.

Há 595 pacientes internados, pelo SUS e em hospitais particulares, dos quais 280 estão em UTIs, números que também diminuíram.

A média móvel de casos, até sexta-feira (30), estava em 1.025 por dia, uma queda de 13,5% na comparação com 14 dias atrás.

Já a média móvel de mortes, nos sete dias até sexta-feira, estava em 8 por dia, redução ainda mais expressiva: 64,1% a menos do que há duas semanas.

Mesmo com esses resultados, o Paraná subiu da 11ª para a 10ª posição no ranking brasileiro, trocando de posição com o Distrito Federal. Em mortes, permanece em 10º lugar.

Brasil já está pertinho de 160 mil mortes

Desde o início da pandemia, o Brasil acumula 5.535.605 casos confirmados e 159.884 mortes.

Só no último registro, houve 18.947 diagnósticos positivos, um dos quais foi o do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Ele foi internado na sexta-feira, 30, num hospital particular de Brasília mas, segundo os médicos que o atenderam, deve ter alta ainda neste domingo (1º), como informa a Agência Brasil.

Nas últimas 24 horas, até o sábado, 31, o Rio Grande do Sul confirmou mais 68 mortes e 4.174 casos. Em termos absolutos, no entanto, São Paulo é o que registra mais mortes. Em um dia, registrou 56 óbitos, acumulando agora 39.311 mortes, para um total de 1.116.127 casos confirmados da doença.

Paraná passou à frente do Distrito Federal, em casos.

No Paraguai, casos, mortes e internamentos continuam em queda

Ao chegar à 48ª semana da pandemia, o Paraguai se encontra numa situação que ainda não pode comemorar, mas pode ao menos respirar mais aliviado.

Nas últimas quatro semanas, segundo o Ministério de Saúde Pública, o país registrou uma tendência de diminuição de casos, mortes e internamentos.

Isso pode ser confirmado comparando os números de agora com os que registramos na edição do H2FOZ de 23 de outubro.

Naquela data, havia 743 pessoas internadas, das quais 149 em terapia intensiva. No sábado, 31, havia 628 pacientes internados, com 122 em UTIs.

O Paraguai fecha outubro com 62.596 contágios e 1.387 óbitos.

Argentina ainda está no pico da pandemia, em casos e mortes

Em média, morreram 380 pessoas por dia, na Argentina, desde o último levantamento que publicamos aqui. De sexta-feira (30) para o sábado foram mais 211 mortes, elevando o total, agora, para 31.001.

Já em número de casos a Argentina soma 1.166.924. A ocupação de leitos de adultos, no país, está na média de 64,3%, superior à da área metropolitana de Buenos Aires (61%).

Comparação com São Paulo

Epicentro da pandemia no Brasil, o Estado de São Paulo tem número de habitantes parecido com o da Argentina (45,9 milhões ante 44,5 milhões no país vizinho). E o número de casos também é semelhante.

São Paulo registra 1.116.127 de casos confirmados (2.431 casos a cada 100 mil habitantes) e 39.311 mortes (85,6 mortes a cada 100 mil paulistas).

Na Argentina, os casos somam 1.166.924 (são 2.622 casos a cada 100 mil habitantes) e as mortes chegam a 31.002 mortes (69,6 mortes a cada 100 mil).

Em números absolutos e relativos, a Argentina tem mais casos que São Paulo. E bem menos mortes.

A letalidade (índice de mortes em relação ao total de casos) é de 2,6% na Argentina e de 3,5% em São Paulo.

Mas a situação pode mudar. Embora os casos e mortes continuem aumentando em São Paulo, a proporção é inferior ao que ocorre na Argentina (só como exemplo, de sexta para sábado morreram 211 argentinos e 56 paulistas).

Se fosse um país, São Paulo estaria em 8º lugar no ranking mundial de casos, logo atrás da Argentina. Mas, com suas 39.311 mortes, o Estado brasileiro estaria em 6º lugar, à frente de Itália, França e Espanha, por exemplo. A Argentina permanece em 12º lugar.

Brincadeira (macabra) com números

Montevidéu, capital de um país que tem menos casos e mortes do que Foz do Iguaçu. Mas está em alerta. Foto Ricardo Freitas/Wikimedia

Foz tem 9.464 casos de covid-19 e 144 mortes, até ontem, dia 31. Por incrível que pareça, com apenas 260 mil habitantes, Foz estaria numa posição desconfortável no ranking mundial de covid-19.

Se fosse um país, estaria em 112º em casos, à frente de países como Angola, Jamaica, Cuba, Nicarágua e Uruguai, entre outros.

Com as 144 mortes, empata com a Jamaica e está à frente da Nicarágua, Cuba, a maioria dos países africanos e – de novo – o Uruguai (58 mortes).

Pois é, e os especialistas que assessoram o governo uruguaio “veem sinais de alerta nos índices que medem o alcance da covid-19”, informa o jornal uruguaio El País.

O Uruguai conseguiu segurar a onda de contágios na fronteira seca com o Brasil, segundo o jornal, mas Montevidéu “volta a ser o epicentro da enfermidade”. Dos 42 casos novos detectados em análises, 32 eram da capital uruguaia.

Acendem-se as luzes de alerta, diz ainda o jornal, porque o país atingiu a média diária de 50 casos, na última semana. Como o Uruguai tem 3,5 milhões de habitantes, a faixa de risco verde vai até o limite de 35 contágios por dia; acima disso, entra na faixa amarela.

Um especialista ouvido pelo jornal disse que “perder o controle (da pandemia) é algo bastante extremo e há muitíssimas pessoas trabalhando todos os dias para que isso não aconteceça”. É preciso, no entanto, manter o controle sobre a pandemia.

E olhe que os números, comparados aos “nossos”, são baixinhos.

No mundo

Os países europeus, que já haviam controlado a pandemia – e este é o temor apontado pelos uruguaios -, voltaram ao topo, em casos e mortes. Itália, França e Espanha, que estavam atrás de países latino-americanos, superaram em casos o México e o Peru.

E, em mortes, a Itália voltou ao 5º lugar, seguida de França e Espanha. É o que se vê no painel on line da universidade americana Johns Hopkins.

Estados Unidos, Índia, Rússia, França, Espanha, Argentina, Colômbia, Reino Unido e México estão no “top ten” dos casos. Em mortes, os 10 primeiros são, pela ordem: Estados Unidos, Brasil, Índia, México, Reino Unido, Itália, França, Espanha, Irã e Peru.

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