Black Friday é a grande esperança dos lojistas de Ciudad del Este

Uma das feiras de descontos de CDE: bastante procura dos consumidores. Foto Arquivo

Depois da pandemia, crise agora é provocada pelo dólar alto no Brasil, que afugenta compradores.

Para o consumidor, oportunidade de comprar um produto importado com preço mais baixo; para os lojistas, principalmente os pequenos, a última cartada do ano pra tentar a recuperação.

A Black Friday de Ciudad del Este já tem data marcada (12 a 15 de novembro) e está quase tudo planejado pra atrair turistas, não só do Brasil como da Argentina.

“A ideia é atrair a máxima quantidade possível de turistas, aproveitando que se reabriu o trânsito com a Argentina”, disse Kenny Yuen, coordenador da feira de descontos, conforme matéria publicada no site da Prefeitura de Ciudad del Este.

A Prefeitura está se reunindo com as associações de comerciantes para fechar os últimos detalhes sobre os serviços necessários, como segurança, planejamento viário e logística, além dos protocolos sanitários.

A arquiteta Marlene Aguilera, diretora de Área Urbana da Prefeitura, disse que a organização vai se basear nas experiências anteriores, mas com algumas alterações que levam em conta a questão da pandemia, como melhorias nos sanitários públicos e dos estabelecimentos.

Esta é a sexta Black Friday de Ciudad del Este. A primeira foi em 2014. A de 2020 não houve por causa da pandemia. Não há ainda uma expectativa de quanto se pretende faturar com a feira de promoções, mas certamente não irá superar o total obtido em 2014: US$ 380 milhões em vendas.

ÚLTIMA CARTADA

Mas, para os pequenos comerciantes, especialmente, a Black Friday representa a última – e a maior – oportunidade do ano para tentar equilibrar as finanças.

Muitos dos pequenos já desistiram do negócio, porque vendem pouco e não têm estoque suficiente para atender os “atacadistas” brasileiros (leia-se: os que lidam com o contrabando), o que fica a cargo das lojas maiores.

As lojas pequenas enfrentam dois problemas ao mesmo tempo: têm poucas vendas, devido ao alto valor do dólar, que convertido em reais torna os preços (fixados na moeda americana) quase impossíveis para o turista brasileiro.

A outra questão é a de custos. A China, de onde provém a maior parte das importações vendidas no comércio da fronteira paraguaia, não está conseguindo atender os pedidos, porque a pandemia provocou falta de matéria-prima e até de mão de obra, por um longo tempo.

FRETE TRIPLICOU

Frete marítimo passou de US$ 2 mil para US$ 7 mil. Foto: Pixabay

A demanda, na atual fase do mundo, está muito aquecida, enquanto a oferta está menor. Fica mais difícil comprar, situação agravada pelo frete marítimo, que ao longo deste ano ficou três vezes mais alto.

“A pandemia causou todo tipo de desequilíbrio na cadeia de abastecimento, desde a escassez de matéria-prima ou mão de obra até a falta de espaço em navios de carga e terminais marítimos”, explica uma matéria da BBC, publicada em setembro.

Agora que a procura aumentou, a crise se agravou por causa também do fechamento temporário de terminais portuários na China e do fechamento de fábricas na Índia, Vietnã e Bangladesh, por conta da pandemia.

A reportagem da BBC conta que, na América Latina, a situação varia de país para país e de comprador para comprador. Isto é, há países – e empresas – com pouco poder de barganha, ante outros que representam maior volume de compras.

O custo do transporte de um contêiner de Xangai, na China, para a América do Sul, ficava em torno de US$ 2 mil, antes da pandemia (não muito mais que o equivalente a R$ 10 mil). Em setembro, já passava de US$ 7 mil (R$ 36 mil).

E tendem a ficar ainda mais altos com a proximidade das festas de final de ano. Quem vai pagar por esses custos? O consumidor final.

O detalhe é que o frete aumentou muito, também, no próprio Paraguai, devido à situação da hidrovia Paraguai-Paraná, que não permite a passagem de barcaças totalmente carregadas.

ATRATIVOS

Esta é a importância da Black Friday para muitos lojistas de Ciudad del Este, a oportunidade de venderem mais, mesmo tendo que fazer descontos. Mas vários comerciantes já desistiram. Eles encerraram os negócios e voltaram a seus países de origem, como a própria China ou Taiwan.

O coordenador da feira de descontos de Ciudad del Este, Kenny Yuen, disse que a intenção é criar vários atrativos para os visitantes, como barracas de bebidas para o happy hour e pontos de eventos artísticos e gastronômicos, sempre com acompanhamento da Polícia Nacional, Polícia Municipal e Cruz Vermelha.

“Será uma organização completa para que todos sejam bem tratados em Ciudad del Este (…), para que tenhamos a melhor Black Friday da história”, afirmou.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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