Peso, real e guarani: qual é mais estável?

Economia do Paraguai foi uma das menos afetadas pela pandemia, na América Latina

Todos os países, sem exceção, sofreram com a pandemia de covid-19, em 2020. Houve queda no Produto Interno Bruto, desvalorização das moedas mais voláteis e aumento da pobreza, de maneira geral.

Mas a América Latina e o Caribe “formam a região mais atingida no mundo emergente”, disse em fevereiro a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). A região teve a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB), acrescentou.

Embora não seja possível comparar a economia do Paraguai com a do Brasil, já que o PIB brasileiro é 172 vezes maior, é possível medir as consequências da pandemia dentro do contexto econômico de cada país. E sabe quem se saiu melhor, dos “três vizinhos”? Exatamente. O Paraguai.

PRODUTO INTERNO BRUTO

Enquanto o PIB brasileiro caiu 4,1% em 2020, a maior queda anual da série iniciada em 1996, e o da Argentina despencou 10,5%, o Produto Interno Bruto do Paraguai teve uma redução bem mais leve, de 1%, apenas.

INFLAÇÃO

A Argentina, com ou sem pandemia, mantém taxas de inflação de dois dígitos. Mas, com a queda no consumo em 2020, o índice baixou de mais de 53,8%, em 2019, para 36,1% no ano passado.

No Brasil, a inflação fechou 2020 com aumento de 4,52%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a maior alta desde 2016.

Enquanto isso, o Paraguai manteve-se na linha. O índice foi de 2,91%, um pouco superior, apenas, ao de 2019, de 2,8%.

EM 2021

Nos dois primeiros meses deste ano, o Brasil acumula aumento de 0,78% do IPCA (índice oficial da inflação) em janeiro e de 0,22% em fevereiro. No ano, 1,26%.

A Argentina registrou o índice de 4% em janeiro e de 2% em fevereiro. Neste caso, uma das taxas mensais mais baixas dos últimos dois anos. No ano, o índice acumulado é de 4,3%.

Já o Paraguai, pra variar, abriu o ano com uma taxa de 0,5% em janeiro e de 0,1% em fevereiro, metade do índice observado no mesmo mês de 2020. No bimestre, a taxa acumulada é de 0,6%.

Isto é, este ano a Argentina segue os mesmos passos de sempre, com índice de dois meses quase igual ao do Brasil o ano inteiro.

Esqueça a Venezuela (lá não tem jeito). O quadro mostra que a situação de Brasil e Paraguai, em relação à inflação, será estável. A Argentina fica quase na mesma situação de 2020. Ilustração: Infobae

O CÂMBIO

Poucos acreditam, mas o guarani, a moeda paraguaia, é uma das mais estáveis do mundo. Mesmo assim, claro, sofreu com a crise de 2020 e sofreu uma depreciação de 7,3% no ano.

Já o real não ficou muito distante do falido peso argentino. Enquanto a moeda brasileira desvalorizou, em 2020, 29,3%, o peso caiu 40%, pelo câmbio oficial (a Argentina tem várias medidas para o dólar).

Diz o site Infobae: “Excetuando-se a Venezuela, (a Argentina) foi o país com a maior inflação, maior queda das ações (34% em dólares) e maior desvalorização do peso”.

O que explica isso? A depressão, que vem desde a crise cambial de 2018 e “se aprofundou de forma dramática com a pandemia”.

OS MAIS AFETADOS PELA PANDEMIA

Antes de concluir, vale lembrar que, na América Latina e Caribe, os países que mais sofreram – e estão sofrendo – com a pandemia foram, pela ordem:

Venezuela – 30% de queda do PIB, já esperada.

Peru – queda de 12,%. Vinha numa situação excelente, mas a queda da economia dos parceiros comerciais impactou a demanda externa e a demanda interna entrou em colapso.

Panamá – queda de 11%. Depois de 10 anos com crescimento anual espetacular, de 6,2% em média, o Panamá viu cair o valor das exportações (principalmente da zona franca) e também as receitas relacionadas ao turismo e serviços financeiros.

Argentina – queda de 10,5%. Já vinha mal, só piorou. 2020 é o terceiro ano consecutivo de contração do PIV. “O impacto da pandemia exacerbou os desequilíbrio macroeconômicos estruturas que a Argentina sofre, especialmente nas áreas fiscal, monetária e cambial”. Apesar disso, a Cepal prevê que a economia argentina vai crescer 4,9% em 2021.

México – queda de 9%. Em 2019, a economia mexicana já havia contraído em 0,1%. Em 2020, o que causou a queda foi a redução nas exportações de petróleo e também do fluxo de investimentos estrangeiros.

Equador – queda de 9%. A pandemia, segundo a Cepal, “aprofundou a complexa situação econômica que já surgia desde o terceiro trimestre de 2019”.

CONCLUSÃO

Embora em situação difícil, o Brasil se safou da lista dos “piores com a pandemia”. Não vai dar pra recuperar os anos perdidos, mas a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico prevê que o Brasil vai crescer 3,7% em 2021.

Se o governo paraguaio trabalhar direitinho – e se sobreviver às pressões -, o Paraguai fechará 2021 com crescimento econômico de 3,3%, de acordo com o Bando Mundial. Como foi o que menos perdeu com a pandemia, ficará “no lucro” em relação aos “três vizinhos”.

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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