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Foz do Iguaçu registra crescimento de 66% no uso do e-Protocolo

Ferramenta digital permite protocolar títulos pela internet e reforça a digitalização dos serviços imobiliários no município.

5 min de leitura
Foz do Iguaçu registra crescimento de 66% no uso do e-Protocolo
Foz do Iguaçu tem características que aceleram a busca por soluções eletrônicas: mercado imobiliário grande, forte presença de financiamento habitacional e o dinamismo próprio de uma cidade de fronteira e de turismo. Foto: Marcos Labanca

O uso do e-Protocolo, serviço eletrônico que permite o envio digital de títulos aos cartórios de Registro de Imóveis, cresceu 66,1% em Foz do Iguaçu no primeiro semestre de 2026. Os dados do Registro de Imóveis do Brasil — Seção Paraná (RIB-PR) mostram que foram realizadas 1.410 solicitações entre janeiro e junho deste ano, frente a 849 registros no mesmo período de 2025.

O resultado acompanha o avanço da transformação digital dos serviços registrais. Além disso, demonstra que cidadãos, empresas, instituições financeiras e profissionais do mercado imobiliário têm recorrido cada vez mais às soluções eletrônicas para realizar procedimentos com mais rapidez, comodidade e segurança jurídica.

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O crescimento surpreendeu pela intensidade, embora fosse esperado pelas características da cidade. “Foz tem características que aceleram essa curva: mercado imobiliário grande, forte presença de financiamento habitacional e incorporações, e o dinamismo próprio de uma cidade de fronteira e de turismo”, explica o diretor de Tecnologia da Informação do Registro de Imóveis do Brasil — Seção Paraná (RIB-PR) e oficial do RI de Terra Roxa, Marcelo Cavalli.

Mas é importante ser preciso sobre o que esse crescimento representa. O e-Protocolo não criou demanda nova por registro. O serviço mudou o caminho pelo qual o título chega ao cartório. O que cresceu 66% foi a preferência pelo canal eletrônico. Ou seja, quem antes ia ao balcão hoje apresenta de onde está e não volta atrás.

De acordo com o órgão, o crescimento está concentrado nos usuários recorrentes, como bancos, tabelionatos, incorporadoras e advogados.

Marcelo Cavalli, diretor de Tecnologia da Informação do Registro de Imóveis do Brasil – Seção Paraná (RIB-PR) e oficial do RI de Terra Roxa. Foto: divulgação
Marcelo Cavalli, diretor de Tecnologia da Informação do Registro de Imóveis do Brasil – Seção Paraná (RIB-PR) e oficial do RI de Terra Roxa. Foto: divulgação

Quem está usando

O e-Protocolo integra a plataforma RI Digital, ambiente nacional que permite enviar documentos eletronicamente ao Registro de Imóveis. O serviço dispensa deslocamentos presenciais para diversas demandas registrais.

Correspondente bancária desde 2014, depois de anos como bancária, Patrícia Zanchett Schek avalia que o crescimento dessa tecnologia foi natural, sobretudo nos financiamentos habitacionais. “Como lidamos muito com esse tipo de operação, o cliente sempre precisa fazer a parte de registro. Com o avanço dos processos digitais, entramos na plataforma, fizemos o cadastro e começamos a realizar os registros online. Hoje, percebemos que isso cresceu bastante, porque nosso processo já está praticamente todo digital”, realça.

Segundo ela, são raros os casos de clientes que não conseguem assinar digitalmente ou não possuem certificado digital. “Praticamente 95% dos nossos processos já são digitais. Por isso, nos adequamos também ao registro digital”, comenta.

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A correspondente lembra que, antes, as próprias imobiliárias cuidavam do registro. Muitas, porém, ainda não se adaptaram ao novo modelo. “Com isso, acabamos fazendo muito mais processos por aqui, e todos já estão nessa nova realidade. Para mim, que fazia os registros no formato tradicional, o digital é muito mais prático, ágil e simples”, complementa Patrícia.

Patrícia Zanchett Schek, correspondente imobiliária: 95% dos serviços são digitais. Foto: arquivo pessoal.
Patrícia Zanchett Schek, correspondente imobiliária: 95% dos serviços são digitais. Foto: arquivo pessoal.

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Como funciona e quais são as vantagens

Pelo e-Protocolo é possível enviar o título e obter a prenotação, acompanhar o andamento em tempo real, receber a nota devolutiva eletronicamente, cumprir exigências sem novo deslocamento, pagar emolumentos e receber o título registrado em formato digital assinado com a mesma força do documento em papel.

“As vantagens em relação ao presencial são de três ordens: disponibilidade — a plataforma funciona 24 horas, sem depender do horário de expediente nem da distância. Isso é decisivo num estado com 399 municípios; rastreabilidade — cada movimentação fica registrada, o apresentante sabe exatamente em que fase está o seu título e por quê; e custo — eliminam-se deslocamento, motoboy e correio”, enumera Marcelo Cavalli.

Impacto econômico e segurança

A digitalização influencia diretamente o ambiente de negócios e os investimentos no setor imobiliário. “O Registro de Imóveis é a infraestrutura sobre a qual o crédito circula: nenhum banco libera financiamento sem certeza sobre a titularidade e sem a garantia devidamente registrada”, ressalta o oficial.

Quando o ciclo de pesquisa, certidão, protocolo e registro passa de semanas para dias, o custo do dinheiro cai, o capital gira mais rápido e o risco jurídico diminui. Os números comprovam. A pesquisa prévia cresceu 63,6%, e a pesquisa qualificada, 16,7%.

Muitas pessoas ainda desconfiam de procedimentos pela internet. “Essa insegurança é legítima, mas parte de uma premissa equivocada, a de que o digital seria mais frágil que o papel. Na verdade é o contrário”, ressalva o diretor. A garantia de segurança começa na identidade. “Todo acesso e toda assinatura no ambiente registral eletrônico se dão por certificado digital ICP-Brasil ou por assinatura avançada gov.br, com nível de verificação definido em lei. Não é senha de e-mail, é identidade certificada por autoridade credenciada”, frisa.

Por fim, a tecnologia não substituiu o registrador. “O e-Protocolo é o canal, não é o ato. O título que chega eletronicamente passa exatamente pela mesma qualificação registral que o título de papel: análise de legalidade, verificação da cadeia dominial, dos princípios da continuidade, da especialidade, da disponibilidade”, detalha.

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    Vacy Álvaro

    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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