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Unila concede título de doutorado por notório saber a referências populares da América Latina

Cerimônia reuniu representantes de seis países latino-americanos, incluindo cinco membros de comunidades de terreiros situadas em Foz do Iguaçu

5 min de leitura
Unila concede título de doutorado por notório saber a referências populares da América Latina
Receberam a titulação 12 pessoas da América Latina. Foto: Judeley Cesaire/SECOM-UNILA

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) concedeu Doutorado por Notório Saber a 12 mestras e mestres de saberes populares e tradicionais da América Latina, sendo cinco de comunidades de terreiros situados em Foz do Iguaçu.

Receberam o título mestres e mestras do Brasil, Bolívia, Equador, Venezuela, Colômbia e Guatemala, em uma cerimônia realizada na terça-feira, 3, no Campus Jardim Universitário (JU), com participação da reitora Diana Araujo Pereira.

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Essas lideranças já são reconhecidas por mestras, mestres ou sábias e sábios por serem detentoras de conhecimentos populares e tradicionais.

Com a titulação, as doutoras e doutores passam a ter o equivalente ao doutorado acadêmico. Com isso, podem atuar na docência e contribuir em projetos de pesquisa, extensão e inovação na Unila.

Coordenador do Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA), Gerson Galo Ledezma Meneses enfatiza a importância da titulação. Ele afirma que durante séculos “a academia tradicional agiu como se os saberes ancestrais fossem uma estátua oculta sob um manto negro em uma praça vazia, à espera de que um intelectual diplomado chegasse para descobri-los em benefício próprio — o que hoje se chama de extrativismo”.

Na análise do professor, a universidade considerou os povos populares e tradicionais como objetos ou sujeitos de estudo. “Mas, hoje, a Unila rompe com essa ilusão colonial”, salienta.

notório saber unila
Doutoras e doutores de Notório Saber com a reitora Diana Araújo e o professor Gerson Ledesma. Foto: Judeley Cesaire/SECOM-UNILA

A titulação faz parte de um movimento nacional ligado a um projeto chamado Encontro de Saberes, cujo objetivo é inserir mestras e mestres nas universidades públicas.

Assim, explica Meneses, há possibilidade de que as universidades monoepistêmicas euro-ocidentais estabeleçam em seus currículos um diálogo de saberes com movimentos sociais e comunidades populares e tradicionais.

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Os titulados foram aprovados por uma banca de avaliação com professores doutores e estão aptos a exercer a função de professores substituto ou visitantes, participar em bancas e orientar trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado ou teses de doutorado.

Lista das doutoras e doutores

  • Amanda Trinidad Villalba Guccione Vieira (Ifarunké Iya), Brasil, comunidades de terreiro — Cultura de Terreiro: Espiritualidade Integrativa;
  • Ednamar Costa de Almeida (Mãe Edna de Baru), Brasil, comunidades de terreiro — Cultura de Matriz Africana: Terreiro;
  • Elias Marques dos Santos Filho, Brasil, comunidades de terreiro — Cultura do Terreiro: Espiritualidade Integrativa;
  • Francisco Ramiro Batzín Chojoj, Guatemala, povo Maya Kaqchiquel — Cosmovisão e Governança Indígena;
  • Luis Eduardo Maldonado Ruíz, Equador, povo Kichwa — Cultura Indígena: Interculturalidade e Movimentos Sociais;
  • Maria Ângela da Silva Santos, Brasil, comunidades de terreiro — Cultura de Terreiro: Saberes Alimentares Tradicionais;
  • María Clemencia Herrera Nemerayema, Colômbia, povo Uitoto — Cultura Indígena: Educação e Direitos;
  • María Eugenia Choque Quispe, Bolívia, povo Aymara — Cultura Aymara: Memória Andina;
  • María Laura Santillán Santillán, Equador, povo Kichwa — Cultura Quíchua: Educação Popular;
  • Milangela Angulo Yavina, Venezuela, povo Warekena — Cultura Warekena: Artes;
  • Roberta Áureo Martins de Souza, Brasil, comunidades de terreiro — Cultura de Terreiro: Artes;
  • Rubén Hilare Quispe, Bolívia, povo Aymara — Cultura e Língua Aymara: Educação e Letras.

Saberes tradicionais

A concessão da titulação tem como base legal a Resolução n.º 15/2025/do Conselho Universitário (Consun) da Unila, instância responsável, entre outras atribuições, por regulamentar a concessão de certificado ou título acadêmico de Notório Saber.

Conforme a resolução, estão aptas a receber o título pessoas que comprovem destacada experiência e atuação em, pelo menos, uma das linguagens ou áreas dos saberes e culturas indígenas, afro-brasileiras, quilombolas, de comunidades de terreiro, de povos tradicionais, ribeirinhos, extrativistas e populares, englobando:

  • artes, culturas e ofícios tradicionais: abrangendo a tradição oral, contação de histórias, cantos, danças, festejos e rituais, culinária e saberes alimentares tradicionais, além de técnicas de artesanato, artes visuais, indumentárias, arquitetura tradicional e confecção de instrumentos;
  • cosmologias, espiritualidades e filosofias tradicionais: compreendendo os sistemas de pensamento, cosmovisões, governança indígena, modos de vida comunitários, religiosidades e a transmissão transgeracional da memória e ancestralidade dos povos;
  • saúde popular e saberes ambientais: envolvendo a medicina tradicional, o conhecimento e uso sustentável da biodiversidade, cura pelas ervas, benzeções, parteiras e o manejo agroecológico e preservação dos ecossistemas locais.
Representantes das comunidades de terreiro
Doutoras e doutores das comunidades de terreiro. Foto: Judeley Cesaire/SECOM-UNILA

Livro Notório Saber

Os detalhes sobre a vida e os saberes dos titulados estão descritos no primeiro volume da coleção Título de Notório Saber, publicado pela Editora CRV. A obra, organizada por Gerson Galo Ledezma Meneses, Jacqueline Méndez Gamboa, Solange Bonomo Assumpção e Senilde Alcântara Guanaes, reúne perfis das mestras e dos mestres da turma de 2026 e identifica as pessoas que integraram as bancas examinadoras.

O livro está disponível nos meios físico e digital.

Acesse por esse link:

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(Com informações da assessoria de comunicação da Unila)

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    Denise Paro

    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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