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POTENCIAL DESTINO

Sucesso do turismo acontece quando melhora a vida das pessoas na cidade

"É essencial investir em qualificação profissional e em atividades econômicas de maior valor agregado", diz Adélio Demeterko

9 min de leitura
Sucesso do turismo acontece quando melhora a vida das pessoas na cidade
É fundamental que setor público, iniciativa privada e lideranças da cidade trabalhem de forma integrada para planejar - Foto: arquivo pessoal

O empresário Adélio Demeterko, 54 anos, é um player do turismo na região de Foz do Iguaçu – um gestor especializado na administração de parques e atrativos turísticos. Por 20 anos (1999 a 2019), administrou a concessão do Parque Nacional do Iguaçu na escalada de visitação alcançada em 2019 com mais de dois milhões de turistas superados apenas em 2025 quando as Cataratas do Iguaçu receberam 2.058.539 de visitantes. Quando assumiu a gestão do parque foram 772.287 visitantes em 1999. Também coordenou a expansão das atrações no Marco das Três Fronteiras.

Demeterko, em entrevista por Whatsapp, preferiu focar no lado propositivo do turismo e do retorno gerado para Foz do Iguaçu. “É um momento muito positivo. A cidade está passando por um ciclo importante de investimentos públicos e privados que fortalecem a infraestrutura turística e ampliam o potencial de crescimento do destino”, disse nesta entrevista exclusiva ao H2FOZ.

“A iniciativa privada tem desempenhado um papel decisivo nesse novo ciclo de desenvolvimento de Foz do Iguaçu. O volume de investimentos em hotelaria, parques turísticos, gastronomia, comércio e serviços demonstra claramente a confiança dos empresários no potencial da cidade como destino turístico e polo econômico regional”, considerou.

Questionado, Adélio Demeterko também levanta a questão da renda da população. “A economia local é fortemente baseada no setor de serviços e turismo, que muitas vezes apresentam remunerações médias menores. Por isso, é essencial investir em qualificação profissional e em atividades econômicas de maior valor agregado”.

“Esse é um momento que exige união e visão estratégica. É fundamental que setor público, iniciativa privada e lideranças da cidade trabalhem de forma integrada para planejar o futuro de Foz do Iguaçu. Precisamos investir em qualificação profissional, inovação, planejamento urbano e desenvolvimento econômico sustentável para garantir que esse ciclo de crescimento gere benefícios concretos para toda a população”, apontou.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Como avalia o momento atual do turismo em Foz do Iguaçu?

Foz do Iguaçu vive um momento muito positivo. A cidade está passando por um ciclo importante de investimentos públicos e privados que fortalecem a infraestrutura turística e ampliam o potencial de crescimento do destino. O turismo continua sendo o principal motor econômico da cidade, com um fluxo crescente de visitantes por ano, movimentando toda a cadeia de serviços, hotelaria, gastronomia e comércio.

Ao mesmo tempo, novos investimentos em atrações turísticas, parques, hotelaria e experiências estão qualificando ainda mais o destino, tornando Foz do Iguaçu cada vez mais competitivo no cenário nacional e internacional.

Qual é o impacto dos investimentos públicos na transformação da cidade?

Os investimentos públicos são fundamentais nesse processo de transformação. Obras estruturantes como a Perimetral Leste e a Ponte da Integração Brasil–Paraguai, duplicação da Rodovia das Cataratas, representam avanços importantes na logística, mobilidade e organização do fluxo urbano e turístico.

Essas obras não apenas melhoram a infraestrutura da cidade, mas também criam condições para novos investimentos privados e ampliam a competitividade regional de Foz do Iguaçu.

Quando a infraestrutura evolui, ela abre caminho para que toda a economia da cidade cresça junto.

Qual é o papel da iniciativa privada nesse momento de crescimento?

A iniciativa privada tem desempenhado um papel decisivo nesse novo ciclo de desenvolvimento de Foz do Iguaçu. O volume de investimentos em hotelaria, parques turísticos, gastronomia, comércio e serviços demonstra claramente a confiança dos empresários no potencial da cidade como destino turístico e polo econômico regional.

Esses investimentos não apenas ampliam e qualificam a oferta turística, mas também geram empregos, movimentam a economia local e estimulam novos empreendimentos em diversos setores. Esse ambiente favorável cria oportunidades para empreendedores, fortalece a cadeia produtiva do turismo e contribui para diversificar a economia da cidade.

Nesse contexto, também merece destaque o papel das parcerias público-privadas, que têm contribuído significativamente para elevar o padrão da infraestrutura turística e da experiência dos visitantes.

Um exemplo importante é a atuação da Urbia Cataratas, responsável pela gestão da visitação no Parque Nacional do Iguaçu, que vem promovendo melhorias relevantes na estrutura de atendimento aos visitantes, na organização do fluxo turístico e na qualificação dos serviços oferecidos dentro da unidade de conservação.

Turismo de Foz do Iguaçu busca a diversificação de suas atividades.
Turismo de Foz do Iguaçu busca a diversificação de suas atividades. Foto: Kiko Sierich/Itaipu Parquetec


Outro caso emblemático é o Marco das Três Fronteiras, revitalizado e operado pelo Grupo Cataratas, que transformou o local em um importante complexo turístico-cultural, integrando entretenimento, gastronomia, história e valorização da identidade da tríplice fronteira. A revitalização do Espaço das Américas transformará o Marco das Três Fronteiras em um atrativo icônico, com maior relevância e fortalecimento da atratividade turística de Foz.

Também temos o AquaFoz inaugurado agora no final de 2025 ao lado do Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu. Este aquário é considerado um dos maiores da América do Sul, com tanques de 3,3 milhões de litros de água que abrigam mais de 300 espécies.

Da mesma forma, a concessão do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu/Cataratas, administrado pela CCR Aeroportos, tem impulsionado investimentos relevantes em modernização, ampliação da infraestrutura aeroportuária e melhoria da experiência dos passageiros, fortalecendo a conectividade aérea da cidade e ampliando sua competitividade no cenário turístico nacional e internacional.

Esses exemplos mostram como a cooperação entre poder público e iniciativa privada pode gerar resultados concretos para o desenvolvimento do turismo e da economia local. Quando esses esforços caminham de forma integrada, o impacto positivo se estende para toda a cidade.

Quando o setor público cria as condições e a iniciativa privada investe, quem ganha é toda a cidade.

Como o crescimento de Ciudad del Este influencia a economia regional?

A tríplice fronteira vive um momento de fortalecimento econômico muito interessante. Ciudad del Este vem passando por um processo importante de modernização do comércio, com novos shoppings, centros comerciais e melhorias urbanas que elevaram o padrão do turismo de compras.

Isso qualifica a experiência dos visitantes brasileiros e transforma o turismo de compras em um produto complementar importante para quem visita Foz do Iguaçu.

Esse movimento fortalece toda a economia regional e consolida a fronteira como um dos principais polos comerciais da América do Sul.

O fortalecimento de Ciudad del Este qualifica o turismo de compras e beneficia toda a economia da tríplice fronteira.

Cellshop Importados, em Ciudad del Este – Foto: Divulgação.

Apesar do crescimento econômico, quais são os principais desafios da cidade?

Todo processo de crescimento acelerado também traz desafios importantes. O principal deles é garantir que o desenvolvimento aconteça de forma planejada e sustentável.

Foz do Iguaçu precisa crescer sem perder qualidade de vida, garantindo que a expansão do turismo, da economia e da infraestrutura urbana aconteça de forma equilibrada.

Outro ponto fundamental é a questão da renda da população. A economia local é fortemente baseada no setor de serviços e turismo, que muitas vezes apresentam remunerações médias menores. Por isso, é essencial investir em qualificação profissional e em atividades econômicas de maior valor agregado.

O grande desafio não é apenas crescer, mas garantir que esse crescimento venha com qualidade de vida para quem vive na cidade.

O que precisa ser feito para aproveitar melhor esse momento de crescimento?

Esse é um momento que exige união e visão estratégica. É fundamental que setor público, iniciativa privada e lideranças da cidade trabalhem de forma integrada para planejar o futuro de Foz do Iguaçu.

Precisamos investir em qualificação profissional, inovação, planejamento urbano e desenvolvimento econômico sustentável para garantir que esse ciclo de crescimento gere benefícios concretos para toda a população.

Os melhores resultados acontecem quando setor público e iniciativa privada caminham na mesma direção.

Qual deve ser a prioridade no desenvolvimento da cidade?

Trabalhadores informais na Avenida Brasil, em Foz do Iguaçu – Foto: Marcos Labanca/H2FOZ


O crescimento que Foz do Iguaçu está vivenciando precisa estar necessariamente associado ao conceito de desenvolvimento sustentável. O aumento dos investimentos, a expansão da infraestrutura turística e urbana, o crescimento do fluxo de visitantes e a dinamização da economia são extremamente positivos para a cidade. No entanto, esse processo precisa acontecer de forma planejada e equilibrada, garantindo que o desenvolvimento econômico caminhe junto com a preservação ambiental, a organização urbana e a qualidade de vida da população.

Foz do Iguaçu tem um patrimônio natural único e um dos principais ativos turísticos do planeta. Preservar esse patrimônio, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de receber visitantes e fortalece a economia local, é um desafio que exige planejamento estratégico e visão de longo prazo.

Existe uma premissa muito clara nas cidades turísticas mais bem-sucedidas do mundo: uma cidade boa para o turista precisa ser, antes de tudo, boa para quem vive nela.

Isso significa investir no fator humano — educação, qualificação profissional, mobilidade urbana, segurança e acesso a oportunidades. O desenvolvimento turístico só será sustentável se gerar benefícios reais para a comunidade local.

O verdadeiro sucesso de um destino turístico acontece quando o desenvolvimento melhora a vida das pessoas que vivem na cidade.

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    Zé Beto Maciel

    Zé Beto Maciel é jornalista e colabora para o H2FOZ.

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