Até hoje ninguém foi acusado pelas mortes dos 7 migrantes achados em contêiner no Paraguai

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O marroquino com as iniciais H.M., de 30 anos, e o argelino com as iniciais S.K., de 29 anos, estão presos, acusados de tráfico humano e travessia ilegal de fronteiras, disse a polícia sérvia num comunicado.

Mas a agência Associated Press disse que os dois não foram acusados oficialmente de responsabilidade pelas mortes dos migrantes encontrados num contêiner no Paraguai no dia 23 de outubro, depois de uma viagem de 4 meses da Sérvia até Assunção.

Apesar de a prisão se originar de investigação sobre os mortos no contêiner, a polícia sérvia preferiu fazer a acusação mais genérica. E informou à polícia do Paraguai que o resultado das investigações se deveu às informações que recebeu dos paraguaios, conforme o jornal Última Hora noticiou no dia 29 de outubro.

Mohamed Ouherher, irmão de um dos mortos, Sidahmed Ouherher, havia informado ao canal paraguaio Telefuturo, pouco depois da descoberta dos corpos, que o argelino conhecido como Salambiá (que pode ser S.K.) seria um dos traficantes que colocou os sete migrantes num contêiner, embarcado num trem para Zagreb, capital da Croácia.

No entanto, o trem seguiu para o porto croata de Rijeka, onde o contêiner com os sete homens dentro foi transferido a um navio, para uma viagem que demorou quatro meses e terminou com a morte de todos, provavelmente sufocados já nos primeiros dias do longo percurso.

Não é a primeira vez que migrantes que entraram em contêineres foram involuntariamente levados para o porto, mas nos outros casos eles conseguiram dar o alarme antes que fosse tarde demais.

A hipótese de autoridades paraguaias é que eles sufocaram pouco tempo depois de entrar no contêiner, espremidos entre a carga e o teto, por isso não conseguiram pedir ajuda.

Quando noticiou o caso, o jornal britânico The Guardian disse que “a trágica viagem dos sete homens sublinha os riscos extraordinários que correm os migrantes e refugiados que procuram chegar à União Europeia”.

O jornal citou organizações de direitos humanos, as quais dizem que “as pessoas são pressionadas a tomar caminhos cada vez mais perigosos para evitar a violência feroz das forças de segurança nos Estados dos Balcãs”.

Segue o texto: “Todos os dias, milhares de pessoas, principalmente do sul da Ásia, Oriente Médio e norte da África, tentam cruzar os Bálcãs para chegar à Europa. É uma rota longa e árdua, que atravessa montanhas e florestas cobertas de neve praticamente sem instalações para migrantes”.

“A viagem pode levar meses e é caracterizada por violência brutal e repulsões ilegais perpetradas pela polícia de fronteira na Sérvia, Bósnia e Croácia. Mas, para os migrantes, oferece a chance de chegar ao coração da Europa sem travessias marítimas perigosas da Turquia à Grécia.”

Tráfico humano

Os dois homens presos na Croácia fariam parte de uma rede internacional de tráfico de pessoas. E eles teriam feito o contato com os sete jovens que buscavam uma vida melhor em Milão, na Itália, onde não há repressão aos migrantes ilegais.

As organização que acompanham os casos de migração ainda não sabem se os sete foram levados para exploração laboral ou outro tio de exploração. O que sabem é que na Europa os traficantes humanos têm um amplo mercado para as pessoas que encaminham.

“Na Europa há uma ramificação impressionante (para a exploração de pessoas). Alguém, quando vai ao detalhe da situação, pode se deparar com muitas surpresas”, afirmou o comissário paraguaio Nimio Cardoso, chefe do Departamento Antissequestro da Polícia Nacional.

O comissário contou que há muitos casos de paraguaias exploradas sexualmente na Europa. A polícia do Paraguai realizou duas operações com a polícia da Espanha,resgatando várias compatriotas nesta situação.

Ele citou também que uma pessoa foi contratada por um clube de futebol para dirigir o time, mas, quando chegou lá, foi vítima de abuso.

Pra lembrar o caso

Mortos achados em contêiner no Paraguai pensavam que estavam indo para a Itália

Eles sonhavam com uma vida melhor. Morreram dentro de um cônteiner, provavelmente pouco tempo depois de entrar.
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