Contrabando pra todo lado, no Paraguai, na Argentina e no Brasil. Fora o tráfico

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Primeiro, o tráfico. O jornal ABC Color noticia que a Armada Paraguaia apreendeu na noite de domingo para esta segunda-feira, 10, 346 quilos de maconha que estavam prontos para ser enviados ao Brasil, pelo Rio Paraná.

Os volumes com a droga estavam escondidos num matagal, próximo à usina de Acaray, e foram avistados numa patrulha fluvial de rotina.

Perto da droga, havia uma canoa de madeira, que possivelmente seria utilizada para o transporte. Embora seja uma embarcação frágil e lenta, a canoa tem a vantagem de não fazer barulho, como as lanchas a motor.

A droga foi levada à base naval de Ciudad del Este, onde foi pesada. No mercado brasileiro, os 346 quilos de maconha prensada valem US$ 173 mil (cerca de R$ 930 mil), segundo a polícia paraguaia.

Comboio de contrabando do Brasil para o Paraguai

Uma das maiores apreensões dos últimos meses, em cinco caminhões procedentes do Brasil. Foto Última Hora

Entra droga e muamba no Brasil, saem daqui principalmente alimentos. Desta vez, uma “megacarga” foi apreendida, de acordo com o jornal Última Hora.

Cerca de 30 toneladas de produtos variados, de origem brasileira, estavam em cinco caminhões quando o comboio foi parado em Canindeiú, a mais de 300 km de Ciudad del Este, pela Unidade Interinstitucional de Prevenção e Combate ao Contrabando do Paraguai.

O presidente da unidade, Emilio Fúster, disse que os produtos, que incluem 11 toneladas de tomates e 100 mil ovos, serão analisados para determinar se estão aptos para o consumo ou se serão destruídos.

A carga tinha também aparelhos celulares, café, azeite, açúcar, fraldas e frangos.

Foram detidos 12 homens que formavam o “comboio do contrabando”, onze paraguaios e um brasileiro. Eles foram colocados à disposição do Ministério Público.

O comboio incluía também carros, onde foram encontradas agendas e também uma geladeira com gelo e cerveja, que aparentemente estava sendo consumida.

De acordo com Fúster, a apreensão foi resultado de um trabalho de inteligência, num trabalho conjunto com as forças públicas.

Esta foi uma das maiores cargas de contrabando detectada e apreendida nos últimos meses, em meio a contínuas denúncias de sindicatos industriais e empresariais sobre o auge do contrabando e seus efeitos negativos para os comércios formais.

Segundo o Ultima Hora, a desvalorização das moedas do Brasil e da Argentina tornou seus produtos mais competitivos e atrativos, por isso o interesse das organizações que se dedicam ao contrabando.

Na Argentina, aumenta “audácia” dos contrabandistas

O jornal argentino La Nación noticia que o fechamento das fronteiras entre a Argentina e o Paraguai, pela pandemia de covid-19, tem gerado novas modalidades de contrabando pelo Rio Paraná.

A cada dia adicional de fronteiras fechadas, diz o jornal, aumentam as necessidades das milhares de pessoas que vivem do contrabando “formiga” de um país a outro, “assim como também aumentam a audácia e as recompensas econômicas para o contrabando”. Observa, também, que isso se verifica também na fronteira Misiones-Brasil (uma das passagens é a ligação entre Puerto Iguazú e Foz).

As novas modalidades incluem lanchas rápidas, com potência de 240 cavalos, que substituíram as mais discretas e silenciosas canoas. “Usam, inclusive, lanchas guiadas por controle remoto e nadadores”, conta o La Nación da Argentina.

Nos últimos dias, circulou um vídeo em que se vê dois 'paseros' paraguaios atravessando o Rio Paraná em lanchas repletas de caixas de cigarros marca Eight, “o produto de contrabando estrela da temporada”.

Vale lembrar que os cigarros Eight, também os mais conhecidos no Brasil, são fabricados na Tabacalera del Este, do ex-presidente paraguaio Horacio Cartes.

Desde 28 de abril, só as apreensões de cigarros nas províncias de Misiones e Formosa atingiram 30 milhões de pesos, o equivalente a R$ 2 milhões. No ano passado, foram apreendidos 260 milhões de cigarros, um pouco menos que os 280 milhões de 2018.

Apreensão de cigarros paraguaios. Na Argentina, como no Brasil, eles detêm uma grande fatia do mercado. Foto Prefeitura de Posadas

Na quinta-feira passada, dia 6, houve uma manifestação  de mil “paseros” e comerciantes de Encarnación, cidade ligada à Argentina pela ponte Roque González de Santa Cruz, a terceira passagem de fronteira mais movimentada, atrás apenas do aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, e da Ponte Tancredo Neves, noticia ainda o La Nación.

O jornal argentino cita o diário paraguaio Itapúa Noticias, que informou sobre 10 mil postos de trabalho perdidos em Encarnación com o fechamento da ponte que liga a Posadas.

Segundo a Prefeitura de Posadas, o volume de contrabando e de narcotráfico diminuiu no início da quarentena, mas depois recuperou o vigor e está no mesmo nível de 2019.

Mão dupla

O jornal La Nación diz que outra fronteira “quente” de Misiones é com o Brasil, “onde além disso está o perigo sanitário pela covid-19, que tem o sócio maior do Mercosul (o Brasil) como o segundo entre os países mais castigados pela pandemia”.

Nessas fronteiras dos dois países, que incluem Puerto Iguazú e Foz, o contrabando tem mão dupla, diz o jornal. Pelo Rio Paraná, passa soja argentina transportada em canoas, o que muita gente não sabe, mas “também está crescendo muito o contrabando de vinho, um produto que o Brasil não produz em volume suficiente.”

“Os brasileiros são fortes compradores de vinho argentino nas cidades fronteiriças de Misiones, ainda mais em épocas quando o peso está muito desvalorizado e os reais rendem muito mais”, aponta o jornal.

De outro lado, colonos argentinos cruzam em canoas rumo ao Brasil para comprar ferramentas para suas propriedades. Em março, um colono cruzou o rio com  um trator, mas foi surpreendido por forças de segurança, que fizeram disparos para o ar. Com o susto, a embarcação virou e o colono caiu na água e não pôde ser resgatado.

“É certo que há passagens ilegais, mas também é preciso levar em conta que há pessoas que cruzam o rio para comprar ferramentas para trabalhar, para ganhar a vida. Compram ali porque é onde o dinheiro permite”, disse ao jornal o prefeito de Colonia Aurora, Carlos “Cali” Goring.

Goring não vê a compra ou venda de mercadorias em pequena escala como um delito, porque assim foi feito a vida inteira.

O prefeito de Andresito, Bruno Beck, também disse que todos os dias são apreendidas mercadorias que “trazem do Brasil com total impunidade. Não podemos controlar isso, trazem coisas para vender nos diferentes comércios e de forma ilícita”, disse.

 

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