Deputado paraguaio leva megafone gigante ao Congresso pra pedir reabertura da fronteira

Segundo ele, o megafone é uma alusão a que o Congresso é “uma caixa de ressonância do povo”. Mas senadora por Alto Paraná não quer reabertura da ponte.

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H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O deputado Jorge Brítez, que representa o departamento de Alto Paraná (a capital é Ciudad del Este), compareceu à sessão do Congresso paraguaio, nesta quarta-feira (2), com um gigantesco megafone colorido, para chamar a atenção para a crise sem precedentes que as regiões fronteiriças enfrentam, noticia o jornal Última Hora.

Segundo o deputado, a quarentena sanitária imposta para combater a covid-19 provocou a demissão de 45 mil trabalhadores, além de 6.730 suspensões de contratos e mais de 6 mil denúncias sobre irregularidades no trabalho. Além disso, prejudicou 10 mil trabalhadores informais.

O deputado disse que Alto Paraná e as outras regiões de fronteira atravessam uma crise sem precedentes

“Eu represento Ciudad del Este, Alto Paraná, e neste momento muitos vivem uma situação crítica. Isto é para que soe com mais força a reclamação”, afirmou à imprensa, ao explicar porque compareceu com o megafone: “o congresso “é a caixa de ressonância do povo”.

O deputado disse também que “as cidades fronteiriças estão em situação crítica nas questões econômica, de saúde, de estado mental e emocional. Não há uma resposta séria do governo, por isso peço que se abram as fronteiras com o cumprimento do protocolo sanitário”.

Tirou a camisa

Na sessão do dia 3 de junho, Jorge Brítez já havia apresentado as queixas sobre a situação de Ciudad del Este, uma das localidades mais afetadas pelo fechamento das fronteiras.

Naquele dia, o deputado discursou: “Estão sem roupa nos assentamentos. Há gente (políticos da região) que fala tranquilamente porque durante 18 anos dilapidou a municipalidade e o governo da província” (referindo-se ao clã Zacarías).

Para expressar sua indignação, o deputado decidiu tirar a camisa enquanto discursava, o que fez com que muitos parlamentares abandonassem a sessão.

Aí, ele criticou: “Se escandalizam por uma camisa, e não pelas pessoas que dilapidaram recursos durante 18 anos”.

Em pleno discurso, deputado tirou a camisa. Foto @ruthbenitezdiaz/Última Hora.

Senadora diz que não há turismo no Brasil

Senadora diz que a ponte aberta só serviria para a passagem de trabalhadores dos dois lados, porque não haveria turistas.

A senadora por Alto Paraná, Georgia Arrúa, defendeu que as autoridades sanitárias regionais é que devem habilitar ou não a passagem na fronteira, segundo também o Última Hora.

“Confio muito nas pessoas que estão à frente da situação e conheço o sacrifício e o malabarismo que todos fazem para tratar de cobrir em parte a situação em que estamos. Por mais que a nível nacional se diga que há insumos, nós da região sabemos bem que não é assim”, criticou.

Ela lembrou que, em apenas dois dias (30 e 31 de agosto), Ciudad del Este perdeu dois médicos em consequência da covid-19. “Dois médicos conhecidos e queridos por toda a comunidade”.

Por isso, considera que a comunidade de Alto Paraná precisa entender o que se está enfrentando e que a abertura da Ponte da Amizade não vai trazer aumento das vendas, principal queixa dos comerciantes de Ciudad del Este.

Segundo ela, se a ponte for reaberta, o que vai acontecer é que entrarão aenas os brasileiros que trabalham no lado paraguaio e sairão os paraguaios que trabalham em Foz.

Por exemplo, em Foz, os hotéis estão fechados, ainda que se permita a movimentação de essoas, simplesmente porque não há turismo. Não vem ninguém, nem sequer às Cataratas. Os brasileiros não estão viajando nem dentro de seu país””.

A senadora é favorável ao chamado “delivery de fronteira”, para que os comerciantes paraguaios possam vender a clientes brasileiros, embora em volume muito menor que o normal.

Georgia Arrúa encerrou a entrevista dizendo que muitos amigos dela podem não concordar com sua posição de manter fechada a Ponte da Amizade, mas que, como senadora, acha que tinha a obrigação de dizer isso.

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