Governo da Argentina manda reforçar segurança nas fronteiras

Segundo a ministra Patricia Bullrich, há temor de que a comunidade judaica argentina seja alvo de atentados como os da década de 1990.

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O Ministério da Segurança da Argentina ordenou reforçar a vigilância nas fronteiras do país, após o episódio em que o Irã lançou mísseis e drones contra Israel, no último sábado (13), em retaliação a um ataque contra uma representação iraniana na Síria.

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A preocupação argentina tem como base o fato de que o país foi alvo, na década de 1990, de dois atentados contra instituições judaicas na capital Buenos Aires. Para o Judiciário argentino, os crimes foram praticados pelo grupo Hezbollah, com apoio direto do Irã.

Em entrevista ao canal de televisão TN, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, mencionou dois fatos específicos: a existência de supostas células do Hezbollah na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina; e a assinatura de um memorando de entendimento na área de segurança, em julho de 2023, entre os governos de Bolívia e Irã.

“A Argentina já sofreu dois atentados e está em uma região onde há presença ativa de forças aliadas ao Irã, como o Hezbollah, que está na Tríplice Fronteira”, afirmou Bullrich. “Também vimos presença do Hezbollah em Iquique, no Chile; em São Paulo, no ano passado; e no Peru, umas poucas semanas atrás.”

“O segundo ponto de preocupação é o memorando que a Bolívia assinou com o Irã, que permitiu a instalação de 700 iranianos na Bolívia, que nós consideramos que são membros de uma guarda que atua como braço armado do Irã”, complementou.

“Levando em conta nossos antecedentes, com dois atentados, além da realidade de ter presença do Hezbollah a cinco quilômetros de Puerto Iguazú, hoje a Argentina tem todos os alertas ligados e está em contato com todos os serviços de segurança do mundo ocidental”, argumentou a ministra argentina.

Histórico

A presença de células supostamente terroristas na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina é alvo de controvérsias históricas e longas discussões entre os países, com a comunidade árabe local (oriunda, em sua maioria, do Líbano) negando as acusações de ligações com grupos radicais.

As insinuações subiram de tom após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Na ocasião, veículos de comunicação internacionais chegaram a veicular que o próprio terrorista Osama Bin-Laden teria estado na região na década de 1990, rumor desmentido pelas agências de inteligência.

Integrada à vida da região, a comunidade árabe de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este é conhecida por suas importantes contribuições à sociedade fronteiriça, com membros de destaque em praticamente todas as áreas de atuação.

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