Greve de caminhoneiros agrava falta de combustível no lado argentino

Protesto na noite de sexta-feira (6). Imagem: Sindicato de Camioneros de Misiones / Twitter.

Postos de Puerto Iguazú e municípios vizinhos estão com estoques reduzidos de gasolina e diesel.

Uma paralisação deflagrada na sexta-feira (6) pelo Sindicato de Caminhoneiros de Misiones está agravando a escassez de gasolina e diesel nos postos da província. Uma das pautas do movimento é, justamente, cobrar soluções para a falta de combustível, que já é crônica em cidades como a capital Posadas ou a fronteiriça Puerto Iguazú.

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Leia também: Preços da gasolina e do diesel ficam mais altos em Puerto Iguazú.

De acordo com o jornal El Territorio, o protesto começou no final da tarde, com os motoristas impedindo a passagem dos caminhões que chegavam à província. Os principais pontos de bloqueio foram montados em El Arco, na Rodovia Nacional 12; em Centinela, na Rodovia Nacional 14; e na rotatória de San José, na Rodovia Provincial 1.

Ainda antes da manifestação, no entanto, o simples anúncio de que os caminhoneiros locais poderiam cruzar os braços por tempo indeterminado provocou filas nos postos de combustíveis, que tiveram de limitar a quantidade vendida por cliente, para evitar que o estoque acabasse.

Para o fim de semana, o panorama é de trégua na paralisação, que pode ser retomada na segunda-feira (9), caso fracassem as negociações para a instalação de uma mesa de diálogo com a participação de representantes da categoria, das distribuidoras de combustíveis e do governo local.

Ao El Territorio, Javier Rotela, secretário do sindicato, questionou os estoques insuficientes enviados à província pelas empresas, ignorando o fato de que Misiones é rota de passagem para caminhoneiros brasileiros, paraguaios e chilenos, que optam por encher o tanque nos postos locais devido aos preços menores que em seus países de origem.

“Em Misiones entram caminhões internacionais que, pela diferença de preços, compram combustível e acabam desabastecendo o mercado local. Os motoristas locais cobram por quilômetro rodado. Ao não ter carga, nem combustível, o salário é notavelmente afetado”, afirmou Rotela, em crítica às distribuidoras.

Gasolina

A situação relatada quanto ao diesel vale também para a gasolina. Como grande parte do território de Misiones faz fronteira com Paraguai e Brasil, é comum que motoristas dos países vizinhos abasteçam na Argentina, onde o litro, a depender da variedade escolhida, pode custar a metade.

“Misiones vem registrando um crescimento na demanda, tanto da população local como de estrangeiros que vêm abastecer na província”, descreve o El Territorio, complementando que em algumas cidades, como Puerto Iguazú, existem bombas específicas para veículos com placas de outros países, com limites que vão de 15 a 40 litros por operação.

“Essa limitação está vigente tanto em Posadas como em Garupá e outras cidades fronteiriças, como Puerto Iguazú, Bernardo de Irigoyen, Andresito e Puerto Esperanza, entre outras”, escreve o jornal. “Bernardo de Irigoyen [fronteira com Barracão (PR) e Dionisio Cerqueira (SC)] pode ficar sem combustível nas próximas horas.”

A situação foi corroborada pelo portal Misiones Online, que publicou que “em Puerto Iguazú e Bernardo de Irigoyen a chegada de estrangeiros complica o abastecimento dos moradores e há extensas filas de veículos esperando para abastecer o tanque”.

Em abril, o professor Ricardo Hartmann, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), concedeu entrevista ao H2FOZ e à Rádio Clube FM, explicando as razões para a diferença de preços. “A resposta para isso é bem objetiva: escolha política”, afirmou. O vídeo está disponível, na íntegra, clicando aqui.

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Guilherme Wojciechowski - H2FOZ

Guilherme Wojciechowski é repórter colaborador do H2FOZ. E-mail: [email protected] - Veja mais mais conteúdo do autor.