Lideranças da sociedade civil e do setor empresarial de Foz do Iguaçu formalizaram um documento conjunto ao governo federal em que cobram diálogo institucional e protestam contra medidas unilaterais que vêm prejudicando a cidade e a região trinacional formada por Brasil, Paraguai e Argentina. Representantes do turismo, da logística e do comércio defendem a criação de uma agenda permanente de interlocução para evitar decisões verticais e equivocadas.
A deliberação ocorreu durante reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguaçu (Codetri), realizada na sexta-feira, 17. O posicionamento foi encaminhado à ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, além de ministérios de áreas afins e instâncias parlamentares e diplomáticas.
O documento cita exemplos de decisões adotadas por órgãos federais sem consulta prévia aos atores locais diretamente impactados. Um dos casos é a tentativa de mudança na circulação de ônibus turísticos entre os países, anunciada sem planejamento e posteriormente suspensa após questionamentos dos setores envolvidos.
Outro ponto levantado é a ausência de diálogo com a comunidade na abertura da Perimetral Leste e da Ponte Internacional da Integração. As incertezas sobre o uso dessas obras estruturantes se converteram em filas e transtornos urbanos. As entidades também apontam impactos negativos decorrentes do atraso na conclusão da Rodovia das Cataratas.
As lideranças recordam ainda que o fechamento do acesso à área comercial e residencial do Jardim Jupira, na BR-277, ocorreu sem entendimentos prévios com os atores locais. A carta também alerta para problemas futuros, como a necessidade de construção de acessos ao novo Porto Seco de forma integrada às obras do terminal, a fim de evitar o colapso do trânsito na entrada de Foz do Iguaçu.
“Quem está decidindo sobre a nossa realidade são pessoas que não a conhecem e, muitas vezes, sequer vivem o dia a dia da fronteira”, afirmou o presidente do Codetri, Roni Temp. Segundo ele, o documento expressa a posição conjunta das entidades que representam os principais segmentos que alavancam o desenvolvimento regional. “Estamos falando de turismo, logística e comércio”, frisou.
Roni destacou que as Três Fronteiras vivem um momento histórico, com obras estruturantes em andamento, comércio internacional fortalecido e grandes investimentos em hotelaria, atrativos e gastronomia. “Não podemos permitir que decisões burocráticas coloquem essas conquistas em risco. Estamos unidos na defesa de uma região trinacional próspera e integrada”, concluiu.
Decisões unilaterais
Durante a reunião, dirigentes reforçaram que a falta de interlocução compromete decisões estratégicas. O presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Diogo Marcel Araújo, enfatizou que a região não pode aceitar decisões impostas de cima para baixo. Já o presidente do Conselho de Desenvolvimento de Foz do Iguaçu (Codefoz), Marcelo Brito, destacou a união entre sociedade civil e setor empresarial.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI), Danilo Vendruscolo, ressaltou a importância econômica da região para os três países. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo (Sindetur), Fernando Martin, medidas unilaterais são recorrentes e, muitas vezes, os setores afetados tomam conhecimento apenas pela imprensa.
Mais gargalos
Representando a Prefeitura de Santa Terezinha de Itaipu, o procurador-geral do município, Osli Machado, cobrou soluções para as filas na BR-277, na divisa com Foz do Iguaçu, lembrando que o represamento afeta diretamente a integração entre as duas cidades. A chefe da Polícia Rodoviária Federal em Foz do Iguaçu, Andressa Regene, afirmou que o órgão mantém as portas abertas ao diálogo sobre demandas relacionadas à atuação da PRF.
Fronteira quer voz
Pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), Paulo Angeli defendeu que o destino turístico tem o direito de decidir sobre sua forma de organização. Representando a Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo (ABAV), Felipe Gonzalez alertou que decisões desencontradas na fronteira impactam o turismo em escala nacional.
Da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), Leonardo Quinonez avaliou que o atual arranjo de uso da Ponte da Integração não favorece o setor. O presidente do Conselho de Desenvolvimento de Presidente Franco (Codefran), Ivan Leguizamón, relatou os impactos do tráfego pesado na cidade, enquanto a integrante do Conselho de Desenvolvimento de Ciudad del Este (Codeleste), Linda Taiyen, observou que, no Paraguai, o governo mantém diálogo com as representações locais da sociedade civil.
(Com informações da assessoria)


