Palestinos em Foz do Iguaçu temem flagelo humanitário na Faixa de Gaza

Risco é de ocorrer “genocídio jamais visto na humanidade”, afirma comerciante iguaçuense, de família que vive na cidade desde a década de 1960.

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Medo, mortes e destruição de propriedades são relatos que o empresário Fawzi Abdallah, de Foz do Iguaçu, conta receber diariamente de parentes e amigos da região da Palestina. O comunicado do Exército de Israel para que 1,1 milhão de pessoas deixem o norte da Faixa de Gaza, em 24 horas, faz aumentar a preocupação da comunidade palestina nas Três Fronteiras, que teme um flagelo humanitário.

Com 20 membros morando na cidade, a família de Fawzi, que é filho de palestinos e integra a Sociedade Árabe-Palestina Brasileira, chegou a Foz do Iguaçu em 1968. Um alento particular é que os seus pais deixaram a região em 5 de outubro, dois dias antes da escalada de violência na região. Ele conta, porém, ter cerca de 500 parentes que vivem em território palestino, de várias gerações, incluindo muitos irmãos do seu pai e da sua mãe.

No último dia 7, o Hamas lançou operação fulminante na fronteira com Gaza, matando e fazendo reféns israelenses e pessoas de outras nacionalidades. Em retaliação ao que chama de ato terrorista, o governo de Israel ordenou ataques aéreos, posicionou tropas em solo – o que sugere invasão terrestre iminente – e cortou serviços de água e de luz, assim como a cadeia de abastecimento de alimentos e remédios.

“Estamos angustiados e absolutamente preocupados com nossos amigos e parentes na Palestina, assim como com todo o povo que lá vive”, declarou Fawzi Abdallah. “Cultivamos absoluta solidariedade e desejo de que a paz seja uma realidade para quem vive em terra palestina”, completou, afirmando que às histórias de desespero se somam as de resistência e esperança.

Para o morador iguaçuense, é praticamente impossível fazer o deslocamento de mais de um milhão de pessoas, como quer o Exército de Israel, devido a questões logísticas e humanitárias. “Especialmente considerando a densidade populacional de Gaza. Se isso acontecer [ocupação com a população civil na região], o mundo vai assistir a um desastre, um genocídio jamais visto na humanidade”, avaliou Fawzi.

Perdas de vidas

Para o empresário, eventual ataque terrestre contra a Faixa de Gaza deverá ampliar a destruição da infraestrutura e causar mais perdas de vidas. Ele resgatou eventos similares, anos atrás, que resultaram em inúmeras mortes, a maioria palestina. Isso porque é elevada a densidade populacional na região. “Os civis inevitavelmente sofrerão, e infraestruturas essenciais como hospitais e escolas serão ainda mais afetadas”, pontuou.

Segundo ele, Israel não pode garantir, como vem sendo divulgado pelos porta-vozes do governo, com apoio de grandes potências mundiais, que apenas integrantes do Hamas são atingidos nos ataques. “Dado o ambiente densamente povoado, os números mostram que morrem também crianças, idosos e pessoas inocentes. Historicamente, muitos civis palestinos já foram mortos durante os 76 anos de ocupação sionista de Israel”, criticou.

Direito internacional

O sistema de nações não pode ser omisso, mas desempenhar um papel proativo na defesa dos direitos humanos e na busca por uma solução justa com base no direito internacional, requer. “Eu apelaria para que os países e governos reconheçam a realidade sobre os territórios palestinos e tomem medidas para proteger toda a população civil, que são os mais prejudicados”, reivindicou.

Em 2021, a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, em Foz do Iguaçu, projetou a solidariedade ao povo palestino – foto: Christian Rizzi


Em Foz do Iguaçu

A comunidade palestina em Foz do Iguaçu é composta por aproximadamente 200 pessoas, informou Fawzi Abdallah. Ela integra a colônia árabe, a segunda maior do Brasil, com cerca de 12 mil pessoas, sendo formada na maioria de libaneses ou descendentes dessa nacionalidade.

O empresário explicou que as ações da comunidade estão voltadas ativamente às redes sociais, “onde nossa principal missão é combater desinformações e fake news”, disse. “É fundamental que as pessoas recebam a informação correta e entendam que Gaza é uma prisão a céu aberto, abrigando mais de 2,4 milhões de habitantes em condições extremamente precárias”, concluiu.

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