Setembro teve recorde de contágios e mortes por covid-19 no Paraguai, mas situação estabiliza

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Não foi trágico como se previa, com falta de leitos de UTI para atender tantos pacientes. Mas setembro foi o pior mês da pandemia de covid-19, no Paraguai.

Em média, calculou o jornal Última Hora, foram 760 novos contágios por dia. No total, 22.796 tiveram covid-19, em setembro, mais da metade do total registrado desde 20 de março – 40.858 casos.

Setembro registrou também o maior número de mortes. Foram 531 óbitos, quase 18 por dia. No total, morreram no Paraguai, desde março, 857 pessoas.

Números como esses já eram esperados pelas autoridades de saúde, já que agosto vinha num crescendo de casos e óbitos.

O Paraguai tem 704 pessoas internadas, das quais 157 em unidades de terapia intensiva. Agosto fechou com 398 internados, 83 em UTI.

O número de recuperados chegou no último dia do mês a 24.449. Em relação aos infectados, o índice de recuperação foi de 59,8%, a melhor marca no Paraguai desde a progressão mais rápida da pandemia, a partir de julho (este cálculo de recuperados é nosso).

Os recuperados e os óbitos é que evitam o colapso no sistema de saúde paraguaio, já que a ocupação dos leitos de UTI oscila entre 90% e 95%, segundo informou o vice-ministro de Atenção Integral à Saúde, Julio Borba, em entrevista ao Última Hora.

Primeira quinzena foi pior

O problema da ocupação de leitos foi mais grave na primeira quinzena de setembro. Havia 388 hospitalizados no primeiro dia do mês passado; no dia 15, a internação aumentou para 605, um aumento de 215 pacientes em duas semanas, o mais alto desde que começou a pandemia.

Na terapia intensiva, aconteceu a mesma coisa: havia 85 internados no dia 1º; no dia 15, 148, ou 63 mais pacientes na UTI.

Na segunda quinzena de setembro, o aumento da ocupação ocorreu em ritmo mais lento. Os 605 internados no dia 15 passaram para 710 em 29 de setembro. O crescimento foi de 105 internamentos, menos da metade do acrescimo registrado na primeira quinzena.

Nas UTIs, os ingressos passaram de 148 pacientes, no dia 15, para 160 no dia 29. Isto é, um crescimento moderado de 12 novos internamentos na segunda quinzena.

Alertas contribuíram para haver mais cuidados e reduzir contágios. Foto Agência IP

A diretora de Vigilância de Enfermidades Transmissíveis, Viviana De Egea, disse que há várias razões para esta “situação estável”. Uma delas é o impacto que geram os alertas feitos pelas autoridades sanitárias.

“Quando falamos de surtos de enfermidades infecciosas, ao lançar alertas epidemiológicos fazemos com que as projeções não se cumpram”, exlicou.

A manutenção do nível de contágios, de internamentos e de óbitos, segundo ela, podem se dever ainda ao fato de que os pacientes procuraram mais rapidamente atendimento hospitalar. Com isso, ao invés de seguir direto para a UTI, como vinha ocorrendo muito, esses pacientes ocupam leitos normais.

Além disso, ela disse acreditar que as pessoas na faixa de risco, ante os contínuos alertas, se resguardaram mais, expondo-se menos aos contágios.

Em Alto Paraná

Ocupação de leitos de UTI permanece alta, em Ciudad del Este. Foto La Clave

O jornal La Clave também informa que, no departamento de Alto Paraná (a capital é Ciudad del Este), houve também uma importante diminuição de casos de covid-19, nos últimos dias. Dos quase mil casos ativos em julho e agosto, o número baixou para 563, no dia 28 de setembro.

O departamento soma 6.722 casos confirmados desde  o inicio da pandemia, dos quais 272 de pessoas que passaram por albergues provisórios. A doença matou, até agora, 239 altoparanaenses.

Já o número de recuperados soma 5.920 pessoas, o que representa 88% do total de casos. O índice é bem mais elevado que a média paraguaia e está mais próximo ao registrado em Foz do Iguaçu (onde gira em torno de 93%).

Mesmo com bons indicadores, os médicos de Alto Paraná dizem que a população não pode baixar a guarda, tomando todos os cuidados para evitar um novo surto de casos.

As medidas são as básicas: usar máscaras, evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência e utilizar álcool em gel. Mesmo aqueles que já contraíram o vírus não devem baixar as defesas.

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