H2FOZ

Geral

Violência contra a mulher

Estupros e atentado violento ao pudor crescem 200% em Foz, aponta pesquisadora

Crescimento ocorreu entre 2024 e 2025; em audiência na Câmara, entidades cobraram ações integradas na fronteira para coibir violência contra a mulher.

3 min de leitura
Estupros e atentado violento ao pudor crescem 200% em Foz, aponta pesquisadora
Na Câmara, diálogo sobre violência de gênero em Foz e na fronteira - foto: assessoria/divulgação


Audiência pública na Câmara de Foz do Iguaçu sobre violência contra as mulheres evidenciou um dado perturbador: os casos de estupro e atentado violento ao pudor na cidade cresceram 200%. Esse aumento se refere ao biênio 2024–2025.

Os dados foram apresentados pela pesquisadora Rosane Amadori, do Observatório de Gênero e Diversidade da América Latina e Caribe, da Unila, obtidos com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná. Outro indicador alarmante é o de descumprimento de medidas protetivas de urgência, que subiu 43,49% no último ano.

Estupros e atentado ao pudor

“Esses números revelam fragilidades no cumprimento de instrumentos legais já existentes”, alertou Rosane. “São falhas que deixam em perigo direto as vítimas que decidiram romper o silêncio”, disse a estudiosa do tema, que agregou, também, as vulnerabilidades quem impactam mulheres e meninas, características da região de fronteira, com o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual.

Os números sugerem padrão. Em reportagem exclusiva (veja aqui), no ano passado, o H2FOZ revelou que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública colocou Foz do Iguaçu entre os municípios brasileiros com mais casos de estupro e estupro de vulnerável. A cidade passou ocupar a 40.ª posição no ranking nacional, elaborado a partir de estatísticas de 2024.

Violências contra a mulher

Na audiência pública, promovida por sindicatos e movimentos sociais, foi enfatizado que a violência contra a mulher nas Três Fronteiras não se resume à forma física e psicológica, como também no subemprego, baixa remuneração, sobrecarga do cuidado e ausência de redes efetivas de proteção. Uma das cobranças saídas do diálogo no Legislativo foi pela adoção de políticas públicas efetivas e integradas entre Foz (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina).

Com cerca de 120 participantes, a audiência discutiu lacunas e deficiências das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. A plenária criticou a gestão estadual do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) por não aderir ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. E os presidentes Javier Milei e Santiago Peña, à frente dos Executivos argentino e paraguaio, foram cobrados, o primeiro por negar a existência da violência de gênero, e o segundo pela ausência de ações governamentais de enfrentamento.

“Não podemos fechar os olhos para as mulheres vítimas das guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. Na guerra ou no ambiente doméstico, a mulher é a face que mais sofre”, advertiu a professora Madalena Ames, que integra a Marcha Mundial das Mulheres e a APP-Sindicato/Foz.

Docente universitária, Danielle Araújo, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e coordenadora das Promotoras Legais Populares da Fronteira (PLP), analisou que violência e justiça precisam ser pensadas como parte do território e suas especificidades. “As denúncias revelam que a violência é fluida, mas o acolhimento é estático. Sem uma rede de apoio integrada entre os três países, a impunidade continuará atravessando a ponte todos os dias”, asseverou.

Publicidade

Como resultado da audiência pública, que pretende ser permanente, um documento será elaborado e entregue aos órgãos governamentais.

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e fique por dentro do que realmente importa.


    Você lê o H2 diariamente?
    Assine no portal e ajude a fortalecer o jornalismo.

    [render_sidebar id="sidebar-1"]

    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

    2 comentários em “Estupros e atentado violento ao pudor crescem 200% em Foz, aponta pesquisadora”

    1. Doni Vitor

      Tem que fazer como na Itália, prisão perpétua para esses tipos de crime, há, mas nossa legislação não permite perpétua, então põe 99 anos, esses nossos políticos são mesmos uns bananas, não sei para quê 513, 81 e mais uns togados da lagosta que até tirar ladrão do xilindro são capazes. Esse país é uma piada.

    2. Carlos

      Esperar o quê de um país onde o presidente coloca um tarado como ministro dos direitos humanos, ele mesmo um ex presidiário e o sistema judiciário virado uma piada. Soltando narcotraficantes e devolvendo os bens dos mesmos. Um país governado por ladrões sería raro não acontecer isso mesmo. Sou saqueles que apoia castração direta de estuprado e cadeia pelo resto da porca vida que tenha. Pra mim esse tipo de gente não merece o ar que respira. Agora o Brasil querer culpar o Ratinho Junior, o Milei e Santiago Peña de algo é realmente muita cara de pau do esquerdista…

    Os comentários estão encerrado.