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Sete vítimas

Justiça faz audiência em caso de acidente que matou três pessoas na região; família pede júri popular

MP apresentou denúncia contra o acusado por crimes de homicídio, lesão corporal grave e embriaguez ao volante, o que é refutado pela defesa.

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Justiça faz audiência em caso de acidente que matou três pessoas na região; família pede júri popular
Detalhe do veículo após o atropelamento - foto: reprodução

Caso de comoção na Região Oeste, o acidente de trânsito que resultou em três pessoas mortas e quatro feridas avança na Justiça, com a realização de audiência nesta quarta-feira, 11. A sessão será na Vara Criminal de Medianeira (PR), aberta à participação de pessoas interessadas, presencialmente e online (acompanhe aqui).

Além de sete vítimas identificadas e citadas no processo — três fatais, três graves e uma leve —, outras pessoas ficaram feridas no atropelamento, em diferentes níveis de gravidade, atendidas na rede de saúde.

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Na madrugada de 21 de agosto de 2021, um grupo de pedestres foi atropelado por um veículo Honda Civic, na PR-495, rodovia que liga Medianeira a Serranópolis. Em 2024, o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou o motorista do carro, Nicanor Fredolino Eckert, pelos crimes de homicídio, lesão corporal grave e embriaguez ao volante, o que é refutado pela defesa (veja abaixo).

Conforme o MPPR, o homem dirigia “com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool, apresentando concentração de 0,13 mg (zero vírgula treze miligramas) de álcool por litro de ar alveolar expelido”, lê-se no processo.

A família de uma das vítimas, Amanda Pedrozo, que sobreviveu ao acidente, mas sofre com sequelas físicas e neurológicas até hoje, espera que o juiz do caso decida pelo júri popular após a audiência. Na época, a jovem tinha 24 anos e havia acabado de se formar em Arquitetura e Urbanismo.

Na audiência, serão ouvidas as vítimas, testemunhas e o réu. Será a primeira vez que Amanda apresentará sua argumentação dentro do processo, pois, na fase de investigação, que é o inquérito policial, ela ainda estava muito debilitada em decorrência das lesões sofridas, explica a advogada Ana Ruppenthal, que a representa.

“O depoimento das vítimas e testemunhas é essencial para a corroboração do conjunto probatório que já está no processo, servindo de convencimento ao magistrado, que deve decidir pela pronúncia do acusado”, expõe. Se isso ocorrer, o acusado por crime doloso contra a vida é levado a júri popular, completa.

Para a família de Amanda Pedrozo, a expectativa é que a audiência leve ao desfecho do caso, que está prestes a completar cinco anos, com a convocação de representantes da sociedade para o julgamento.

Conforme o processo, as vítimas do acidente são:

  • Mortes: Adriana Rodrigues, Luan Saraiva da Silva e Luis Guilherme da Rosa.
  • Lesões graves com perigo de morte: Amanda Pedrozo.
  • Lesões graves: Pedro Manoel Rech e Edio Wilson (ficaram incapacitados para ocupações habituais).
  • Lesões leves: Gean Davila.

Outro lado

A defesa de Nicanor Fredolino Eckert argumenta que a denúncia do MPPR baseia-se, em grande parte, no resultado do teste de etilômetro, considerado pelos defensores do réu como “prova ilícita devido a irregularidades no procedimento de realização”.

No interrogatório do réu, aponta a defesa, ele disse “categoricamente que não foi cientificado sobre a realização do teste de bafômetro. Segundo relato, o policial limitou-se a dizer ‘sopra aqui’, inserindo o aparelho diretamente na boca do acusado, sem fornecer qualquer explicação ou garantir que ele entendesse a natureza e as consequências do procedimento”.

A VF Advocacia, que assiste ao acusado, também afirma não se tratar de dolo, que são as situações em que se assume o risco de causar morte. “Conforme os testemunhos e as provas apresentadas, o acusado freou o carro ao perceber a presença de pessoas na pista, o que evidencia uma tentativa de evitar o acidente”, escreveu nos autos.

Caso prevaleça a alegação da defesa, o processo poderá seguir para o âmbito civil, saindo da esfera criminal.

Sequelas graves

Hoje com 29 anos, Amanda Pedrozo é a vítima sobrevivente com as sequelas mais graves, com danos neurológicos em decorrência do traumatismo crânio-encefálico (principalmente lapsos de memória), redução da mobilidade nas mãos e dificuldade para caminhar, além de outras consequências que demandam tratamento contínuo.

Autora de dois livros, encontrou na escrita uma forma de seguir a vida enquanto mantém o tratamento. Nas obras, compartilha sua experiência para ajudar outras pessoas que passam por momentos como o que ela vive, em que “tudo desaba” (saiba mais aqui).

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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