Moradores ocuparam o que é deles, diz síndica do Condomínio Duque de Caxias

H2FOZ – Paulo Bogler 

Organização de cozinha comunitária, limpeza, instalação de luz elétrica cedida por vizinhos e conserto de vasos sanitários e de outras estruturas. Essa é a rotina de moradores do Condomínio Duque de Caxias, desde a noite dessa sexta-feira, 14, quando 75 famílias decidiram retornar aos apartamentos do residencial que fica na região do bairro Morumbi. 

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De acordo com a síndica Eliana da Silva Pereira, o retorno foi devido a atrasos no pagamento do aluguel social e a ameaças de perda desse direito. “As famílias cansaram de ameaças de perder o aluguel social, feitas pela Caixa. Os moradores decidiram ocupar o que é deles”, disse Eliana, em entrevista ao Programa Marco Zero, da Rádio Clube, neste sábado, 15 (ASSISTA).  

“As pessoas estão sendo pressionadas para comparecer ao banco, que elas têm dez dias para assinar um contrato. Quando chegam lá, veem que a proposta não serve”, relatou. “A Caixa liga várias vezes por dia dizendo que irá cortar o aluguel social. Então, os moradores decidiram retornar [ao Condomínio Duque de Caxias].”

Em fevereiro de 2018, os habitantes do Duque de Caxias tiveram de deixar os 136 apartamentos do condomínio, após a Defesa Civil apontar risco de segurança atribuído a problemas estruturais dos prédios. Desde então, recebem aluguel social no valor de R$ 890 da Caixa. A demolição dos blocos foi questionada por responsáveis técnicos pela obra e suspensa pela Justiça. 

O banco está propondo que os moradores aceitem apartamentos no Residencial Angatuba, construído na área de Três Lagoas e que deverá ser inaugurado em breve. Durante recente sorteio dos imóveis, a Prefeitura de Foz do Iguaçu deixou 136 imóveis reservados, a pedido da Caixa.  

A síndica Eliana da Silva Pereira foi entrevistada durante live neste sábado. Ao fundo, é possível observar a depreciação do imóvel – foto Reprodução 

“Vamos ficar até o Judiciário e a administração pública tomarem um posicionamento”, enfatizou Eliana. “O que a gente viu até agora é que a Justiça só ouve a Caixa, e o prefeito se exime de tudo, não participou de nenhuma reunião. Não há resposta nenhuma para os moradores e nem aos nossos advogados”, expôs.  

A representante do condomínio afirma ser inviável a ida para outra região. “Aqui no Duque de Caxias tudo é próximo, no Angatuba é tudo longe, não fica viável para os moradores, que são carentes”, frisou. “Aqui tem cadeirantes, e o asfalto facilita o acesso ao posto de saúde e à fisioterapia”, exemplificou Eliana. 

Outro lado 

Ao H2FOZ, no final de julho, a Caixa confirmou que estava convocando proprietários de moradias no Duque de Caxias para comparecer ao banco, sendo necessária a apresentação de comprovante de residência. O objetivo, segundo informou a assessoria da instituição, era o de repassar às famílias “informações detalhadas”.

“Em decorrência da desocupação do Residencial Duque de Caxias, o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) apresentou solução definitiva de moradia para as famílias do referido residencial, reservando apartamentos no novo Residencial Angatuba, cuja viabilidade de entrega das unidades está prevista para este semestre”, afirmou a Caixa.

Destruição 

Segundo a síndica do Condomínio Duque de Caxias, houve saques de fiação, portas, caixas-d’água e vasos sanitários do conjunto de blocos, mesmo com o local cercado e com pessoal da segurança. Ela cobra a responsabilidade pela depreciação do imóvel. “O condomínio está totalmente destruído. Os vizinhos contam que, mesmo com seguranças, pessoas seguiram entrando e levando [materiais] de caminhão”, denunciou. 

Ela contou que engenheiros de uma empresa do ramo de construção farão uma análise das condições da estrutura, gratuitamente. As famílias não utilizarão os blocos que são os mais afetados, segundo Eliana da Silva Pereira, os quais foram isolados. O trabalho nos próximos dias será de revitalização dos apartamentos ocupados pelas 75 famílias.

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