Na pior estiagem do Brasil em 91 anos, Itaipu terá em 2021 a menor produção desde 1994

Topo da barragem de Itaipu, que este ano terá geração baixa devido á longa estiagem. Foto Alexandre Marchetti

A geração da usina binacional somou apenas 54,9 milhões de MWh de janeiro a outubro deste ano.

Acostumados a sucessivos recordes anuais de produção de eletricidade, os engenheiros e técnicos da usina de Itaipu agora são responsáveis pelos recordes de produtividade, que traduzem o melhor aproveitamento possível da pouca água que chega ao reservatório.

Na pior estiagem em 91 anos, de acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), que administra o setor de eletricidade no País, a usina binacional produziu, de janeiro a outubro deste ano, 54,9 milhões de megawatts-hora, 5,2% menos que no mesmo período de 2020.

E o ano passado também foi crítico. Itaipu encerrou 2020 com a geração acumulada de 76,3 milhões de MWh, a menor desde 1995 (77,2 milhões de MWh).

Mantida a média mensal deste ano em novembro e dezembro, o total de 2021 não vai passar de 65 milhões de MWh, inferior à de 2020 e à de 1994 (69,3 milhões de MWh).

O superintendente de Operação de Itaipu, o engenheiro paraguaio Hugo Zárate, disse ao jornal ABC Color, em outubro, que a usina atingiria 67 milhões de MWh até o final do ano. Mesmo se atingir este volume, ainda assim ficará abaixo da produção de 1994.

Além disso, pela primeira vez em 27 anos, a usina binacional não produzirá os cerca de 75 milhões de MWh que atenderiam à chamada Energia Vinculada, a potência contratada por Brasil e Paraguai. No ano passado, foi ligeiramente superada graças à elevada produtividade (este ano, a produtividade continuou batendo recordes, mas a água ficou ainda mais escassa).

RECORDES

Desde 1995, a usina de Itaipu bateu vários recordes de geração. E, a partir de 1996, a usina só gerou menos que 80 milhões de MWh nos últimos dois anos: 2019 (79,4 milhões de MWh) e 2020 (76,3 milhões de MWh).

Em 2016, o Rio Paraná permitiu que a binacional atingisse 103 milhões de MWh em 2016, o maior volume de eletricidade até então produzido numa única central elétrica, superando a rival chinesa Três Gargantas, com capacidade de geração muito maior.

Mas o Rio Paraná, normalmente generoso, não tem dado conta do recado, de 2019 para cá. Os piores anos de produção, desde 1996, foram exatamente 2019 (79,4 milhões de MWh) e 2020 (76,3 milhões de MWh), o que se repetirá em 2021, em situação ainda pior.

Em 2020 e 2021, tem chovido muito abaixo da média histórica nas bacias dos rios que formam o Paranazão, até chegar a este patamar de pior estiagem dos últimos 91 anos, mencionado pelo ONS.

NÍVEIS BAIXOS

Nas duas últimas semanas, choveu em todas as bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional, segundo o Operador Nacional do Sistema. Mas o Rio Paraná, a montante (acima) de Itaipu, continua com nível bem abaixo do normal. Em Guaíra, por exemplo, a cota do rio estava na quinta-feira, 11, em 110 metros acima do nível do mar, quando a normal é de 137 metros.

Isso se reflete a jusante (abaixo) de Itaipu. Embora em situação melhor que em outros períodos deste ano, a cota na Ponte da Amizade deve oscilar neste sábado entre 95,27 e 96,70 metros acima do nível do mar, segundo a Divisão de Hidrologia de Itaipu. Ou seja, entre 9 e 10 metros abaixo do nível que o rio atinge em períodos normais.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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