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Mais de 400 famílias em Foz do Iguaçu já foram beneficiadas com os leilões da Itaipu

Iniciativa une responsabilidade social e geração de recursos para construção de moradias populares.

6 min de leitura
Mais de 400 famílias em Foz do Iguaçu já foram beneficiadas com os leilões da Itaipu
Flávio Renato Borges Monteiro e Daniela Pereira dos Santos Monteiro: qualidade de vida e proximidade de serviços. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional.

Foz do Iguaçu, quase metade já foi transferida para novos proprietários. São 406 transações concluídas, 212 por venda direta e 194 por leilão.

Por trás de cada número, uma história de espera. Isaías Dias de Castro e a esposa, Raquel Gomes, por exemplo, ficaram 25 anos pagando taxa de ocupação por uma casa em que moravam na Vila A. Contudo, na prática, não era oficialmente deles. No dia 1.º de outubro de 2024, finalmente a escritura chegou. “O meu pai trabalhou na Itaipu a vida inteira e se aposentou na construção. Cada grão de areia aqui tem uma história”, ressaltou Isaías.

O analista de sistemas Flávio Renato Borges Monteiro e sua esposa, a jornalista Daniela Pereira dos Santos Monteiro, utilizaram o leilão público para assegurar seu espaço. Os dois queriam um imóvel no bairro pela qualidade de vida e pela proximidade de serviços, e encontraram no leilão público uma entrada viável. “As condições foram mais em conta do que o mercado convencional. Agora, o plano é ampliar a casa”, contou Flávio.

Para o diretor-administrativo da Itaipu, Djalma Vando Berger, o programa representa muito mais do que uma transação imobiliária. “Construídas na época da usina, essas casas hoje representam o sonho de pessoas que, embora já as tenham como lar, na prática, ainda não detêm sua propriedade de direito.” Berger destacou o valor humano da iniciativa. “Não há nada mais digno para o ser humano do que ter um endereço e uma casa própria”, completou.

Demanda antiga

As histórias dos dois casais fazem parte de um mesmo programa: a alienação dos imóveis residenciais da Vila A, bairro construído pela Itaipu nos anos 1970 e 1980 para abrigar os trabalhadores que vieram de todo o Brasil erguer a usina. Com o fim das obras, as casas perderam a função original, e a empresa as cedeu a associações, órgãos públicos e famílias ligadas ao funcionalismo. Os moradores pagavam uma taxa de ocupação, em média 30% de um aluguel convencional na região, sem nunca ter o imóvel no nome.

Imagem aérea mostra início da ocupação na Vila A - Itaipu Arquivo
Imagem aérea mostra início da ocupação na Vila A. Foto: Itaipu/Arquivo.

De acordo com o superintendente de Serviços Gerais da Itaipu, Welton Leandro Valdir, essa é uma demanda bastante antiga dos moradores. “Quando acabou a construção, as casas começaram a ser cedidas a diversas entidades, como órgãos públicos, órgãos de segurança, à Fundação Itaiguapy e à prefeitura. E essas famílias sempre tiveram interesse em adquirir as casas, mas havia um impedimento jurídico.”

A saída encontrada foi buscar com o Conselho de Administração da Itaipu e os órgãos competentes uma legislação que permitisse a alienação de imóveis utilizados no contexto da construção de usinas. “Conseguimos fazer esse trabalho e obter as autorizações necessárias para que as casas ocupadas pudessem ser ofertadas aos moradores regulares”, afirmou o superintendente. “Para que eles possam, finalmente, depois de décadas, ter a possibilidade de adquirir o bem em que moram há tanto tempo.”

Como funcionam os descontos

O programa prevê condições diferenciadas para os moradores regulares, aqueles que ocupam as casas, estão adimplentes com a taxa de ocupação e não têm outro imóvel registrado na comarca de Foz do Iguaçu. No caso de Isaías e Raquel, eles pagaram a taxa regularmente e mantiveram toda a documentação em ordem, o que garantiu um desconto adicional pelos 25 anos de permanência.

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Uma empresa contratada pela Itaipu avalia os imóveis sem considerar as melhorias que os moradores fizeram ao longo dos anos. A partir desse valor, o morador regular acessa o chamado preço de liquidação forçada, o menor previsto na metodologia, com desconto adicional de 25% para quem não tem imóvel registrado na comarca. Para os imóveis desocupados, a Itaipu realiza leilões periódicos abertos ao público, publicados com pelo menos um mês de antecedência no portal da empresa, no portal do leiloeiro e na imprensa. A previsão é de leilões mensais ao longo de 2026 a partir de junho.

Antiga casa da Itaipu ofertada em leilão - Itaipu Divulgacao
Antiga casa da Itaipu ofertada em leilão. Foto: Divulgação/Itaipu.

Moradores com dificuldades financeiras ou de documentação têm as situações analisadas individualmente. É possível compor renda com familiares que residam no mesmo imóvel, como cônjuges, filhos ou herdeiros, e usar o FGTS no financiamento. Em casos específicos, a empresa pode prorrogar prazos mediante comprovação de esforço do morador.

Renda financia novas moradias populares

Os recursos das vendas e leilões vão integralmente para o Projeto Moradias, iniciativa da Itaipu que constrói habitações para famílias em situação de risco social ou ambiental, em áreas de inundação, zonas de preservação permanente ou ocupações irregulares.

O projeto, em andamento em Foz do Iguaçu, está dividido em três lotes. O primeiro, com 52 unidades, já foi entregue. O segundo, com 60 casas, tem entrega prevista até o final de junho. O terceiro, com 160 unidades, aguarda regularização fundiária na prefeitura. Em março de 2025, a Itaipu firmou um segundo convênio, o Moradias 2, com o município de Castro (PR), para mais 160 habitações. Os recursos já foram repassados, e as contratações estão em andamento.

Carla Duarte - projeto Moradias. - William Brisida IB
Carla Duarte foi uma das contempladas com casa no lote 1 do projeto Moradias.
Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

Diálogo permanente com os moradores

A Itaipu mantém canais abertos de comunicação com os moradores durante todo o processo, com apoio das equipes de assistência social e de serviços gerais. A empresa analisa caso a caso as situações de dificuldade e pode prorrogar prazos quando o morador comprova esforço para cumprir os trâmites.

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    Vacy Álvaro

    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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