A fotógrafa Bruna Martins utiliza o Bosque dos Macacos desde que era criança, quando pedalava e percorria a área ambiental com amigos da infância. Hoje, aos 30 anos, revela que se sente insegura para usufruir a área vizinha à sua moradia e cobra que o local virou ponto de lixo e está abandonado pelo poder público.
- Moradores cobram fim de esgoto lançado no Rio Boicy em área pública no Campos do Iguaçu
- Bosque Guarani segue fechado para uso público no ano em que completa três décadas
Na gestão anterior, de Chico Brasileiro (PSD), o Bosque dos Macacos foi elevado à condição de parque ambiental municipal. Mas, além da grife para a propaganda, nada aconteceu de concreto nos três últimos anos, inércia que permanece, assim, na administração do prefeito Joaquim Silva e Luna (PL).
Antes, a área no Jardim Ipê, uma floresta em meio à cidade habitada por macacos-prego e passáros, ganhou notoriedade por um mau exemplo: um agente privado destruiu parte da mata contígua ao Bosque dos Macacos, chamando atenção para a falta de proteção à fauna e à flora (veja aqui).

Ontem como hoje, os problemas são os mesmos: falta de cuidado e ausência do plano de manejo. A reportagem percorreu o parque ambiental, encontrando lixo por toda a sua dimensão, desde garrafas PET e embalagem de pizza até restos de construção, roupas, móveis, um televisor de tubo, altamente poluente, e equipamentos de informática.
Quando o poder público não age adequadamente, a anticidadania entra em campo. Para jogar seus dejetos, pessoas abrem clarões na mata derrubando a vegetação para lançar lixo dentro e nas bordas do extenso bosque. Sem segurança pública e monitoramento, os crimes ambientais passam impunes.

Bosque dos Macacos
Os equipamentos estão sem manutenção. O mato avança sobre um campo de futebol, e um dos parques infantis apresenta aparelhos danificados, inclusive apodrecidos pela ação do tempo. A parte da pista de caminhada, feita com produto asfáltico, foi invadida pelo mato.
“Há seis meses, mais ou menos, a prefeitura veio aqui só com uma caçamba e dois trabalhadores… coitados”, conta Bruna. “Não conseguiram recolher nem mesmo todo o lixo menor, como garrafinhas e papéis. Nunca mais voltaram para continuar os serviços”, revela.

Ela afirma que equipes da prefeitura deixam quantidade demasiada de frutas. Os macacos não a comem totalmente, apodrecendo e atraindo moscas. E reforça o fator insegurança.
“Todo mundo gosta do bosque. Eu frequento desde pequena e hoje trago meus filhos. Para que o morador use mais o espaço, é preciso ter segurança”, pede ao poder público, a fotógrafa e vizinha de três décadas do Bosque dos Macacos.
Outro lado
A prefeitura respondeu ao H2FOZ comprometendo-se em começar a fazer serviços de limpeza semanalmente. Apontou que as equipes profissionais deixam alimentos frescos e recolhem os inservíveis, e que está sendo preparada contratação para consultoria que irá nortear a elaboração do plano de manejo. Contudo, não informou quais ações de segurança são mantidas no local pela Guarda Municipal e segurança patrimonial.
Íntegra da nota da prefeitura:
A Secretaria de meio ambiente esclarece que a frequência de limpeza e a pista de caminhada: informa-se que o serviço passará a ser realizado semanalmente, por meio de profissionais habilitados junto à Prefeitura, específicos para esses fins.
A equipe da Diretoria de Bem-Estar Animal realiza o tratamento diário dos animais com alimentos frescos e também recolhe os inservíveis. O que pode estar ocorrendo é a alimentação por parte de moradores ou transeuntes no local, que acaba excedendo os limites adequados, gerando sobras, perdas e perecimento dos alimentos.

Estamos prospectando parcerias a fim de captar recursos e encontrar soluções técnicas para o manejo dos animais. Além disso, estamos em fase interna de licitação para a contratação de consultoria, que realizará os estudos necessários à formulação do plano de manejo.
As manutenções dos parquinhos são realizadas pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, conforme cronograma de demandas. A população também pode fazer solicitações via site da prefeitura e eOuve.
Quanto à segurança é importante que a população contribua com a segurança pública, denunciando qualquer situação adversa.
Morador tem voz
Diga Aí é um canal direto do morador com o portal H2FOZ. Os leitores podem enviar reclamações, pedidos de providências pelo poder público e sugestões de pautas de reportagens sobre o dia a dia de Foz do Iguaçu e da região trinacional. O acesso é a um toque, no WhatsApp: (45) 99828-6840.


