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Parque das Aves celebra o Dia da Ave com exposição sobre o mutum-do-sudeste

Exposição sobre espécie ameaçada da Mata Atlântica ocorre na segunda-feira (5), enquanto a observação de aves conquista novos públicos.

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Parque das Aves celebra o Dia da Ave com exposição sobre o mutum-do-sudeste
No Parque das Aves, a observação acontece em uma estrutura preparada para visitantes de todas as idades. Foto: divulgação

No Dia da Ave, celebrado em 5 de outubro, o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, receberá uma exposição sobre o mutum-do-sudeste, espécie da Mata Atlântica ameaçada de extinção. Ao mesmo tempo, a data joga luz sobre uma atividade que ganha cada vez mais adeptos: a observação de aves. De fato, levantamentos no Brasil e no exterior mostram o tamanho desse interesse e como a tecnologia tem aproximado as novas gerações da prática.

“As aves fazem parte do nosso cotidiano, mesmo quando não reparamos nelas. A observação convida a prestar atenção nessa diversidade, reconhecer espécies, perceber comportamentos e criar uma relação mais próxima com a natureza. O Dia da Ave é uma boa oportunidade para despertar essa curiosidade. Observar pode ser o primeiro passo para conhecer e valorizar a biodiversidade”, afirma Gabriela Possato, coordenadora de Educação para Conservação do Parque das Aves.

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Campanha do Cemave destaca o mutum-do-sudeste

A exposição integra a campanha do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) dedicada ao mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii). A mostra fica em frente ao viveiro da espécie, das 9h às 16h.

Os visitantes vão conhecer as características da ave, as ameaças que ela enfrenta e as ações de conservação em curso. Além disso, a exposição explica o papel do mutum na manutenção e na regeneração das florestas.

“O mutum-do-sudeste tem papel importante na dinâmica da Mata Atlântica, principalmente porque dispersa sementes. Apresentar a espécie aos visitantes ajuda a mostrar sua importância e os desafios para conservá-la”, explica Gabriela.

Interesse pela observação de aves cresce no Brasil

No Brasil, por exemplo, as plataformas digitais dão uma medida desse interesse. O WikiAves, maior comunidade brasileira de observação de aves e ciência cidadã, reúne hoje mais de 57 mil observadores e 6,6 milhões de registros em foto e som. Em 2025, inclusive, cerca de 3,7 mil novos usuários entraram na plataforma.

No entanto, não há um número oficial de praticantes no país. Ainda assim, o Censo Brasileiro de Observação de Aves estima que esse público fique entre 40 mil e 300 mil pessoas, a depender do critério usado para definir quem é observador. Segundo o levantamento, 90% dos participantes ligam a atividade à conexão com a natureza. Por sua vez, 74% citam, entre as motivações, ajudar outras pessoas a conhecer as aves.

Observação de aves conquista novos públicos pelo mundo

Aplicativos de identificação, plataformas de ciência cidadã e comunidades on-line ampliaram as formas de participar. Desse modo, qualquer pessoa consegue reconhecer espécies, gravar cantos, fotografar, montar listas e compartilhar o que encontrou.

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Nos Estados Unidos, a prática já mobiliza um público expressivo. Levantamento do U.S. Fish & Wildlife Service mostra que, em 2022, 96 milhões de pessoas com 16 anos ou mais observavam aves. Ou seja, o número equivale a 37% da população norte-americana nessa faixa etária. Da mesma forma, os aplicativos acompanharam o movimento. Segundo o Cornell Lab of Ornithology, o Merlin Bird ID saltou de cerca de 300 mil usuários ativos no país, em março de 2020, para mais de 1,5 milhão em março de 2023.

O fenômeno também chega à Geração Z. Em 2025, uma reportagem da ABC News, da Austrália, mostrou jovens que usam plataformas como eBird e Birdata para registrar espécies e compartilhar observações. Assim, para esse público, a atividade incorpora a lógica de descoberta e coleção, familiar a quem cresceu no ambiente digital.

Um primeiro passo para começar a observar aves

Quem está começando não precisa de longas caminhadas nem de experiência prévia. No Parque das Aves, por exemplo, a observação acontece em uma estrutura preparada para visitantes de todas as idades.

A trilha imersiva tem cerca de dois quilômetros em meio à Mata Atlântica. Além disso, o caminho é pavimentado, contínuo e sem barreiras, o que facilita a circulação de cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e pessoas com mobilidade reduzida. O trajeto conta ainda com áreas de descanso, banheiros acessíveis, fraldários e bebedouros com água potável gratuita.

Durante a visita, o público vê as aves de perto e repara em detalhes como vocalizações, cores, alimentação, formas de voo e comportamento. Os espaços de imersão, como o Viveiro das Araras e o Viveiro O Mundo dos Tucanos, favorecem essa proximidade. Dessa forma, muitos visitantes começam a treinar o olhar para características que depois poderão reconhecer nas aves em vida livre.

“A observação começa pela curiosidade e pela atenção aos detalhes. Quando aprendemos a perceber uma vocalização, uma cor ou um comportamento, passamos a enxergar as aves de outra maneira. Criar oportunidades para esse contato aproxima as pessoas da biodiversidade e as sensibiliza para a importância de conservá-la”, diz a coordenadora.

Visitantes podem acompanhar o cuidado com os animais

Quem visitar o Parque das Aves também vai encontrar novidades na estrutura. Uma delas é o Complexo de Saúde Animal, inaugurado recentemente. O espaço reúne laboratório, sala de raio-X, clínica veterinária com centro cirúrgico, nutrição animal e neonatologia.

Parte dos ambientes tem paredes de vidro voltadas para a trilha. Assim, o público pode acompanhar algumas atividades do cuidado diário com os animais, sempre conforme a rotina das equipes e as necessidades das aves. Com isso, além das aves, o visitante conhece de perto o trabalho dos profissionais responsáveis pelo bem-estar dos animais.

Hoje, ao todo, mais de 1.400 animais, de cerca de 130 espécies, vivem sob os cuidados do Parque das Aves. Desse total, mais da metade chegou ao local com histórico de resgate.

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    Vacy Álvaro

    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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