Uma audiência pública para debater diferentes perspectivas e instrumentos voltados à proteção e valorização do Rio Iguaçu aconteceu, na terça-feira (30), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba. A proposição foi do deputado Goura (PDT).
Entre as possibilidades levantadas está o reconhecimento do Iguaçu e de sua bacia hidrográfica como um sujeito de direitos, como parte de um amplo conjunto de estratégias de governança socioambiental. Dentro desse contexto, especialistas de diversas áreas ressaltaram a necessidade de preservar e valorizar o Rio Iguaçu e seus afluentes. Eles respondem por 81% da água consumida em todo o Paraná.
Em sua fala, José Ulisses dos Santos, chefe do Parque Nacional do Iguaçu, destacou a necessidade de implantação de uma vazão ecológica para o conjunto do sistema hidrelétrico do Rio Iguaçu, com participação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e da criação de um corredor ecológico.
Além disso, realçou que seria importante um trabalho de integração entre os rios Iguaçu e Paraná por meio de um mosaico de unidades de conservação e do reconhecimento de áreas úmidas da bacia como Sítio Ramsar. Sob esse status, essas áreas passariam a ser objeto de compromissos que o país deve cumprir. A determinação nesse caso é conservar as suas características ecológicas e os elementos da biodiversidade, bem como os processos que os mantêm.
“Do ponto de vista da natureza, os dois parques, argentino e brasileiro, formam uma unidade e são considerados um único sítio. É um exemplo de bem transfronteiriço do patrimônio mundial, com cooperação internacional em matéria de conservação, das regiões de valor universal excepcional”, ressaltou José Ulisses. Ele também lembrou os avanços em alguns protocolos conjuntos, como estudos de impacto de visitação, pesquisas científicas e monitoramento de espécies. “O rio não nos separa, o rio nos une”, frisou.
Importância da conservação
De acordo com Yara Barros, coordenadora-executiva do Projeto Onças do Iguaçu, que também participou da audiência pública, a preservação das onças depende diretamente da integridade do Parque Nacional do Iguaçu e da qualidade ambiental do rio.
“A importância de conservar o parque não é só para as onças, mas para várias espécies. O corredor verde que se forma entre Brasil e Argentina tem cerca de cem onças-pintadas atualmente. Essa população já foi quase extinta há 15 anos. Hoje, conseguimos dobrar essa população”, mencionou.
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Yara também pontuou que o Rio Iguaçu dá vida à floresta e que é necessária a floresta íntegra para as pessoas e espécies ameaçadas. “É um ciclo. Estamos no meio: água, onça, floresta, presas, rio. Salvar o rio é salvar as conexões que ele traz”, complementou.

