A onça-pintada capturada no final de junho na região de Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, foi solta nesta segunda-feira, 3, no Parque Nacional do Iguaçu, reserva verde situada nos limites do Brasil com a Argentina. Batizado de Tape’ỹ, o macho passou por avaliações veterinárias e recebeu alta da equipe técnica responsável.
De acordo com a coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, Yara Barros, os exames realizados mostraram que Tape’ỹ apresenta boas condições de saúde. Durante o período em que esteve no refúgio, a onça manteve comportamento compatível com o de um animal silvestre, alimentou-se normalmente e demonstrou plena capacidade para retornar ao ambiente natural.
Com base nessas avaliações, a equipe técnica definiu que a soltura no Parque Nacional do Iguaçu era a alternativa mais adequada para garantir o bem-estar do animal e contribuir para a conservação da espécie.
A onça havia sido capturada com segurança durante uma operação conjunta que envolveu instituições brasileiras e argentinas. Na sequência, foi encaminhada ao Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional, onde passou por exames clínicos e laboratoriais. O animal também recebeu tratamento para ferimentos constatados no momento da captura.
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Colar de monitoramento
Antes de ser solta, a onça recebeu um colar de monitoramento por GPS, equipamento que permitirá acompanhar seus deslocamentos nos próximos meses. As informações obtidas serão importantes para verificar a adaptação do felino após o retorno à vida livre, compreender como utiliza a área e subsidiar futuras estratégias de conservação da onça-pintada na região, observa a equipe do projeto.
A soltura foi realizada por equipes do Projeto Onças do Iguaçu, do Parque Nacional do Iguaçu/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), da Itaipu Binacional e de instituições parceiras.
Após deixar a caixa de transporte, Tape’ỹ caminhou em direção à floresta e foi acompanhado visualmente até desaparecer no interior da mata.

O chefe do CENAP/ICMBio, Rogério Cunha de Paula, avalia que o retorno de Tape’ỹ ao Parque Nacional do Iguaçu representa o encerramento bem-sucedido de uma operação iniciada em uma situação delicada, envolvendo um grande felino em área urbana.
“Todas as decisões tomadas ao longo desse processo foram fundamentadas em critérios técnicos, sempre priorizando o bem-estar do animal e a segurança da população”, afirma.
Para Marius Belluci, gestor da área de Ciência e Pesquisa do Parque Nacional do Iguaçu, o episódio reforça a necessidade de recuperar áreas de preservação permanente e reservas legais, além de criar novas áreas protegidas que garantam a conectividade entre o parque e o entorno do Lago de Itaipu.
“Dessa forma, fortalece-se o corredor de biodiversidade do Rio Paraná, permitindo que os animais se desloquem com segurança e reduzindo o risco de conflitos com as populações humanas.”
O caso chamou atenção por se tratar de uma situação extremamente incomum. Havia mais de 20 anos que não eram registrados avistamentos confirmados de onças-pintadas na região do Lago de Itaipu, onde o animal foi encontrado. De acordo com a equipe do Projeto Onças do Iguaçu, ainda não é possível determinar de onde Tape’ỹ veio nem quais fatores o levaram a percorrer uma área urbana.
O animal recebeu o nome Tape’ỹ logo após a captura. A palavra, de origem tupi, significa “aquele que perdeu o caminho”, em referência à trajetória incomum que o levou até a cidade. Com a soltura, a expectativa da equipe é justamente a oposta: que ele volte a percorrer os caminhos da floresta, onde sempre deveria estar.
(Com informações da assessoria de imprensa do Projeto Onças do Iguaçu)

