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Mudanças climáticas: Foz tira nota 0,42 em avaliação do Tribunal de Contas

Prefeitura afirma que possui plano de contingência e que acompanha os apontamentos do TCE-PR e adota medidas para aperfeiçoar o planejamento e a gestão.

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Mudanças climáticas: Foz tira nota 0,42 em avaliação do Tribunal de Contas
O tema está relacionado à eventual ocorrência do fenômeno El Niño e à forma como a cidade está preparada para enfrentar seus impactos. Foto ilustrativa: Marcos Labanca/H2FOZ arquivo

Com o fenômeno El Niño batendo à porta, Foz do Iguaçu carrega uma nota incômoda. A gestão das ações municipais para mudanças climáticas no município obteve nota 0,42 em avaliação do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), referente ao ano de 2025.

Equivale a dizer que o ex-prefeito Chico Brasileiro (PSDB) não deixou estruturadas as ações e que Joaquim Silva e Luna (PL) não tomou as providências para desenvolver as ferramentas ambientais.

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A nota dada à prefeitura integra o eixo meio ambiente, área que recebeu a segunda pior avaliação (5,16) do Tribunal de Contas entre oito políticas públicas. A média resulta das respostas anotadas diretamente pelos agentes públicos da cidade no formulário padrão do órgão de controle.

No subeixo mudanças climáticas, os itens avaliados abrangem medidas preventivas e a existência ou não de plano de ação climática e legislação na área. E se há diagnóstico sobre grupos sociais e/ou econômicos em situação de vulnerabilidade diante dos impactos, bem como se essas fragilidades foram consideradas em políticas públicas iguaçuenses sobre uso de solo, saúde, assistência social, energia, transporte, entre outras.

Foz do Iguaçu recebeu nota 0 em todos os itens de avaliação, à exceção da existência de mecanismos de participação não governamental na implementação e na continuidade de estratégias, políticas e planos climáticos, em que obteve 10. Abaixo, todas questões ficaram sem nota, devido à inexistência de mecanismos e ações:

O município possui inventário de gases de efeito estufa (GEE), identificando e quantificando as atividades/setores responsáveis pelas emissões? NÃO.

O inventário de gases de efeito estufa (GEE) foi elaborado ou atualizado nos últimos 3 anos? NÃO.

O município possui mapeamento dos riscos climáticos, produzido ou atualizado nos últimos 5 anos, baseado em evidências científicas? NÃO.

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O município possui diagnóstico sobre grupos sociais e/ou econômicos em situação de vulnerabilidade diante dos impactos das mudanças climáticas, identificando suas necessidades? NÃO.

As vulnerabilidades identificadas e os riscos climáticos foram considerados nas políticas públicas municipais (uso de solo, saúde, assistência social, energia, transporte etc.)? NÃO.

O município possui legislação sobre mudanças climáticas que estabelecem objetivos de mitigação e adaptação, definindo instrumentos e responsáveis pela implementação? NÃO.

O município possui Plano Municipal de Ação Climática instituído em norma nos últimos 5 anos? NÃO.

O município disponibiliza o Plano de Ação Climática, em sua íntegra, no portal oficial do município ou transparência? NÃO.

O Plano Municipal de Ação Climática define, com base no inventário de emissões de GEE, metas próprias de redução de emissões (mitigação), com prazos de cumprimento e mecanismos de monitoramento específicos para mitigação? NÃO.

O Plano Municipal de Ação Climática define, com base no inventário de emissões de GEE, medidas para redução dos gases efeito estufa (mitigação) para os principais setores emissores? NÃO.

O Plano Municipal de Ação Climática define objetivos e metas de adaptação às mudanças climáticas, com base em diagnóstico de riscos climáticos e vulnerabilidades, abrangendo os principais setores impactados (ex. recursos hídricos, saúde, habitação, transporte, energia, agricultura, turismo etc.)? NÃO.

O Plano Municipal de Ação Climática define, com base no diagnóstico de riscos climáticos e vulnerabilidades, medidas de adaptação, abrangendo os principais setores impactados (ex. recursos hídricos, saúde, habitação, transporte, energia, agricultura, turismo etc.)? NÃO.

Avaliação resulta das informações prestadas pela prefeitura – imagem: TCE-PR/reprodução

No ano de referência (2025), o município realizou e documentou o monitoramento das metas e/ou medidas do Plano Municipal de Ação Climática? NÃO.

O município dispõe de estrutura governamental, criada por norma, reunindo representantes de diversas secretarias, para tratar de aspectos climáticos? NÃO.

A estrutura governamental criada para tratar de assuntos climáticos realizou pelo menos uma reunião e/ou evento no ano de referência? NÃO.

As reuniões e/ou eventos conduzidos pela estrutura governamental criada para tratar de assuntos climáticos contaram com a participação de integrantes de outras políticas e secretarias? NÃO.

O município possui servidor formalmente designado para atuação na área de mudanças climáticas? NÃO.

O servidor vinculado à área de mudanças climáticas participou de ações de capacitação no ano de referência? NÃO.

No ano de referência, houve a implementação de ações de mitigação às mudanças climáticas envolvendo os principais setores emissores (ex.: energia, transporte, resíduos, agricultura)? NÃO.

No ano de referência, houve a implementação de ações de adaptação às mudanças climáticas atendendo aos principais setores/pessoas impactados? NÃO.

O que diz a prefeitura

À reportagem, a prefeitura reportou que mantém acompanhamento permanente das condições climáticas por meio da Defesa Civil Municipal. E que dispõe de um conjunto de ações voltadas à prevenção, monitoramento e resposta a eventos adversos. As equipes atuam em:

  • sensibilização da população;
  • adoção de medidas preventivas;
  • busca de alternativas para mitigação de impactos; e
  • articulação com as secretarias municipais sempre que há necessidade de intervenções.

De acordo com a nota, o município conta com um plano de contingência atualizado. Esse documento, segue o texto, “reúne os protocolos, recursos e ferramentas disponíveis para atuação em situações de emergência. Também mantém estoque de telhas e lonas para atendimento à população em casos que demandem distribuição gratuita desses materiais”.

Já quanto aos apontamentos do TCE-PR, a administração argumenta que está acompanhando as avaliações e trabalha no aprimoramento de seus instrumentos de planejamento e gestão, considerando as recomendações dos órgãos de controle.

Sobre os impactos do fenômeno El Niño, previsto para este segundo semestre do ano e nos primeiros meses de 2027, expõe a prefeitura que a população precisa colaborar. “Entre as principais recomendações estão manter telhados em boas condições, realizar a limpeza periódica de calhas e ralos e garantir o adequado escoamento da água pluvial dentro dos imóveis”, descreve.

Canais

Em caso de chuvas intensas e ventos fortes, a orientação à comunidade é evitar a passagem por áreas alagadas e não buscar abrigo sob árvores ou estruturas metálicas. Os moradores, prossegue a nota da prefeitura, podem cadastrar-se para receber alertas da Defesa Civil por SMS, enviando o CEP da residência para o número 40199.

“Caso seja identificada alguma situação que demande intervenção, o cidadão pode registrar a ocorrência pelo aplicativo e-Ouve, para análise e encaminhamento às equipes responsáveis”, pontua a nota. Os canais, em situações de emergência, são: Defesa Civil (199), Guarda Municipal (153) e Corpo de Bombeiros (193).

Mudanças climáticas

O El Niño pode provocar descargas atmosféricas, rajadas de vento e queda de granizo, enumera a governança municipal. “A concentração de precipitação em curto período eleva o risco de inundações, enxurradas e alagamentos, motivo pelo qual o município mantém monitoramento contínuo e ações preventivas para minimizar os impactos à população”, finaliza a prefeitura.

Sobre a nota

A nota de 0,42 em mudança climáticas em Foz do Iguaçu integra o Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (ProGov), do Tribunal de Contas do Paraná, instituído em 2021. Assim, além da análise das prestações de contas financeiras, houve a inclusão da Avaliação da Atuação Governamental, que passou a considerar o parecer prévio emitido pelo órgão de controle.

As oito áreas de relevância social e administrativa são: administração financeira, aquisições e contratações, assistência social, educação, meio ambiente, previdência social, saúde e transparência, controle e relacionamento com o cidadão.

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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