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Onça-pintada desafia a ciência e resiste a quatro infecções

O Projeto Onças do Iguaçu acompanhou o filhote por 12 meses e não viu nenhum sinal de doença. Descoberta foi publicada em revista científica.

7 min de leitura
Onça-pintada desafia a ciência e resiste a quatro infecções
Ao longo dos 12 meses seguintes, armadilhas fotográficas distribuídas pelo Parque Nacional do Iguaçu continuaram a acompanhar o animal. Foto: Projeto Onças do Iguaçu

O Projeto Onças do Iguaçu e parceiros revelaram um caso inédito na conservação da fauna brasileira. Uma onça-pintada (Panthera onca) apresentou quatro agentes infecciosos ao mesmo tempo, mas permaneceu saudável durante pelo menos um ano de acompanhamento.

O estudo representa um avanço no conhecimento sobre a saúde de felinos silvestres. Conduziram a pesquisa o Projeto Onças do Iguaçu (Instituto Pró-Carnívoros), o Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio, o Laboratório de Biologia Molecular (SUHVU/Universidade Federal da Fronteira Sul), a Itaipu Binacional e o WWF-Brasil. Ademais, a revista científica Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia publicou o trabalho.

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O Projeto Onças do Iguaçu capturou o animal, um macho de aproximadamente 11 meses, em julho de 2023, durante monitoramento sanitário no Parque Nacional do Iguaçu. Na sequência, análises de sangue por biologia molecular (PCR) confirmaram os quatro patógenos: vírus da leucemia felina (FeLV), vírus da panleucopenia felina (FPV), Cytauxzoon sp. e Anaplasma platys.

Apesar do resultado, os pesquisadores não observaram sinais clínicos das doenças normalmente associadas a essas infecções em gatos domésticos e felinos de cativeiro. Ao longo dos 12 meses seguintes, armadilhas fotográficas distribuídas pelo parque continuaram a acompanhar o animal. Contudo, no período, ele apresentou crescimento normal, ganho de peso, comportamento típico da espécie e plena capacidade de caça.

Resposta imunológica e preocupação com a conservação

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que as onças-pintadas podem apresentar uma resposta imunológica diferente daquela observada em felinos domésticos. Nestes, aliás, essas doenças costumam ser graves e podem levar à morte.

Além da descoberta sobre a resistência do animal, o trabalho reforça uma preocupação crescente para a conservação da espécie: a transmissão de doenças entre animais domésticos e a fauna silvestre. A expansão urbana no entorno de áreas protegidas aumenta, sobretudo, o contato entre gatos e onças-pintadas. Ademais, favorece a circulação de agentes infecciosos capazes de ameaçar as populações selvagens.

Conforme os autores, compreender como esses patógenos se comportam em onças de vida livre é fundamental para desenvolver estratégias mais eficientes de conservação. Dessa forma, o caso demonstra que a simples detecção de um agente infeccioso não significa, necessariamente, que o animal desenvolverá a doença. Por fim, o estudo reforça a necessidade de pesquisas de longo prazo sobre a imunidade e a epidemiologia dos felinos silvestres.

O monitoramento contínuo do Projeto Onças do Iguaçu documentou toda a evolução clínica do animal e confirmou que, mesmo infectado, ele seguiu desempenhando normalmente seu papel ecológico como predador de topo da Mata Atlântica.

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Sobre o Projeto Onças do Iguaçu

O Projeto Onças do Iguaçu é uma iniciativa institucional do ICMBio, desenvolvida pelo Instituto Pró-Carnívoros em parceria com o Parque Nacional do Iguaçu, o Cenap/ICMBio, o WWF-Brasil e diversos parceiros nacionais e internacionais.

Assim, além do monitoramento populacional das onças-pintadas, das pesquisas em ecologia e dos trabalhos de coexistência, o projeto realiza avaliações sanitárias periódicas. Por fim, essas avaliações são fundamentais para compreender os desafios da espécie e orientar ações de conservação no maior remanescente de Mata Atlântica do interior do Brasil.

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    Vacy Álvaro

    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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