Chuvas (que fazem bem pro bolso) devem voltar já nesta quarta, 13

Usina de Foz do Areia. Produção chegou a paralisar, por algumas horas, nos últimos dias. Tentativa de recuperar o reservatório. Foto Copel

Embora a situação tenha melhorado um pouco, ainda é preciso muita chuva pra recuperar os reservatórios das hidrelétricas.

Vamos primeiro falar de temperaturas. Pra quem gosta de calor, a quarta-feira (13) estará “no ponto”: mais de 30 graus, segundo a unanimidade dos serviços de meteorologia. Mas, nos dias seguintes, cai para menos de 26 graus.

Agora, sim, a questão das chuvas.

Quem mora em Foz e presenciou – e sentiu – os torós, como o de domingo (10), ficou imaginando: ufa, ninguém mais vai falar em crise energética nem em conta de luz mais alta.

Ledo e cruel engano. As chuvas contribuíram para melhorar a situação tanto dos reservatórios de abastecimento de água quanto os reservatórios das usinas hidrelétricas do Paraná. Mas os níveis estavam tão baixos, depois de dois anos de chuvas abaixo do normal, que ainda precisamos de muitos torós. Ou melhor, de chuvas contínuas.

Pra resolver a situação da conta de luz, a situação não depende apenas do Paraná e das chuvas daqui. Precisa muita chuva no Sudeste, de Minas a São Paulo, e no Centro-Oeste, principalmente Goiás, onde estão os rios com as usinas mais importantes para o Brasil (Itaipu faz parte do Sudeste, embora localizada na fronteira do Paraná).

Pelo menos aqui no Estado, outubro continua generoso. Começou com chuva e deve prosseguir assim, presumem os meteorologistas.

Em Foz, por exemplo, há previsão de chuvas para os próximos dias. Dependendo do serviço meteorológico, pode chover já nesta quarta-feira, 13. É o que dizem Simepar, Climatempo e Tempo Agora.

Outros apostam na quinta-feira: CPTEC/Inpe, Inmet e AccuWeather.

E os seis preveem que vem chuva forte na sexta-feira, 15. Depois disso, ainda é cedo pra avaliar, mas há também chuva no horizonte.

É uma situação bem diferente da que vivemos até agosto e setembro, quando a gente noticiava “tempo seco a perder de vista”.

Como na semana passada, pra esta tem previsão de chuva. Por menos dias, mas vai chover. Foto Arquivo

NAS USINAS

Num rápido balanço, confira o que significaram as chuvas, até agora, para as usinas instaladas no Rio Iguaçu. E por que precisa chover mais, já que elas estão tendo que interromper a produção, por alguns períodos, para permitir que seus reservatórios se recomponham.

Na hidrelétrica de Foz do Areia, o volume do reservatório subiu para 18,72% nesta terça-feira, 12. A vazão de água afluente (que chega ao reservatório) estava em 730 metros cúbicos por segundo. A usina devolvia ao rio, depois de produzir energia, quase a mesma coisa – 730 m³/s.

Pra recuperar o reservatório, a usina deixou de gerar energia entre a zero hora e as 7h de segunda-feira, 11, o que já havia feito também no domingo. Nesta terça, deixou de gerar entre 2h da madrugada e 8h.

Graças a isso, o volume do reservatório subiu de 15,94% às 5h do domingo para os 18,72% verificados às 20h desta terça. Mas é ainda um índice muito baixo.

A mesma medida, de paralisar a produção por algumas horas, nos últimos dias, foi adotada na usina de Salto Segredo, o que possibilitou aumentar a reserva de 20,83% à zero hora de domingo para os 25,42% registrados às 20h desta terça-feira.

FIO D´ÁGUA

Já na usina de Baixo Iguaçu, embora o nível do reservatório esteja baixo, é um fator que não preocupa muito, porque a hidrelétrica funciona a fio d´água. Isto é, aproveita toda a velocidade e o volume de água do Rio Iguaçu para gerar eletricidade, tendo apenas um estoque mínimo de água, para garantir a operacionalidade.

Pela sua característica de ser a fio d´água e a última do Rio Iguaçu, ela recebe toda a água que vem das usinas rio acima, e seu estoque mínimo variou entre 96,88%, à 1h desta terça-feira, e 26,16% às 20h.

Mas há uma “ligeira” diferença entre a usina do Baixo Iguaçu e Salto Segredo ou Salto Caxias: enquanto a primeira tem potência instalada de 350,2 megawatts (MW), Salto Segredo tem 1.260 MW e Salto Caxias 1.240 MW.

Salto Segredo: menos produção também pra recuperar o reservatório, ainda muito baixo. Foto Copel

ITAIPU

A gigantesca binacional Itaipu também enfrenta a escassez de água. No sábado, 9, a usina atingiu a produção acumulada de 50 milhões de megawatts-hora (MWh) em 2021. É um número expressivo, mas não para a Itaipu de tempos de Paranazão generoso.

Se – hipoteticamente – a usina produzir até o final do ano uma média mensal aproximada do que gerou até agora, fechará 2021 com menos – talvez bem menos – de 70 milhões de MWh, produção mais baixa desde 1993.

Claro que as últimas chuvas, sobre a bacia do Paraná 3, ajudaram um pouco. Tanto assim que, a jusante da usina, na Ponte da Amizade, a régua marcou nesta terça o nível entre 99,24 e 96,97 metros acima do nível do mar, uns seis metros abaixo do normal (105,5 m), mas bem melhor que os 13 metros abaixo já registrados este ano.

Isto dá uma ideia da dimensão da estiagem que o Sudeste e o Sul do Brasil enfrentam. E dá pra imaginar, também, o quanto precisa chover pra restabelecer os níveis dos reservatórios.

Conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destaca, o Brasil vive a “pior crise hidrológica desde 1930”. Mas, naquela época, não havia crise energética porque nem existia grande consumo. Era um país rural, e as poucas usinas existentes atendiam plenamente o consumo. Não é assim agora.

O ONS não prevê apagões ou falta de energia para atender o país, principalmente porque as chuvas voltaram agora em outubro, mas os reservatórios continuarão baixos. E continua cada vez maior a necessidade de utilizar as outras fontes, da eólica à solar, mas especialmente a energia das térmicas, bem mais caras e que impactam diretamente no bolso dos consumidores.

Só resta torcer por mais chuvas.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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