As pombas fazem a festa, no terreno dos arrabaldes preparado para o plantio. Foto Patrícia Iunovich

Pra variar, precisamos de chuva, produto escasso no mercado. Será que vai chover?

Terminou o verão, que teve dias bastante chuvosos em Foz, em janeiro – 609,6 milímetros em todo o mês, 3,5 vezes mais que a média histórica. Veio fevereiro, com apenas 27 milímetros durante todo o mês, ou 22,3% da média histórica. Entrou março, começou o outono no dia 20 e pouco mudou. As águas de março não fecharam o verão, como diz a música.

O outono, que normalmente já é uma estação de pouca pluviosidade, deve ser mais seco que o normal, por causa dos efeitos de La Niña. Isso vale não apenas pra Foz, mas pro Paraná, Sul e Sudeste do Brasil. Isso pode agravar problemas como o de abastecimento de água, na região metropolitana de Curitiba, e até encarecer o preço da energia elétrica.

Com pouca água, as hidrelétricas produzem menos. E o setor depende cada vez mais das usinas térmicas, que utilizam matéria-prima como gás, óleo diesel e carvão, muito mais caros que a água, logicamente.

Não é por mero acaso que a usina de Itaipu informou ter batido recordes de produtividade, desde o início deste ano, o que significa que aproveitou cada gota de água que chegou ao reservatório para transformar em eletricidade. Mesmo assim, produziu menos que no primeiro trimestre de 2020, um ano seco.

Quando se vê a previsão do tempo para os próximos dias, já dá para perceber que abril não será diferente de março e fevereiro. Vai chover, mas pouco.

Dos cinco serviços de meteorologia que consultamos, três – Simepar, CPTEC/Inpe e Climatempo – preveem chuva para esta segunda-feira, 5. Para o AccuWeather e o Inmet, não chove.

Mas o Inmet aposta em chuva na terça-feira, 6. E nisso é acompanhado por Simepar, CPTEC/Inpe e Climatempo. Serão pancadas de chuva, apenas.

Os dias seguintes, a perder de vista, serão ensolarados, nublados ou parcialmente nublados. Chuva? Neca de pitibiriba, expressão bem pouco usada atualmente. Que a gente “traduz”: neca vem do latim nec, que significa não; pitibiriba ou pitibiribas é uma palavra tipicamente brasileira, que não se sabe como surgiu, que quer dizer nada ou coisa alguma. Uma das variantes da expressão é neres de pitibiriba.

Enfim, outono com quase neres de pitibiriba de chuva, é o que nos espera.

Se serve de consolo, apreciemos então belas imagens de outono, das lentes de Patrícia Iunovich:

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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