Caminhoneiros que circulam pela Tríplice Fronteira estão organizando um protesto para o próximo dia 3 de agosto no lado brasileiro da Ponte da Integração, ligação entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco.
O movimento, em defesa dos motoristas do transporte internacional de cargas, está marcado para começar às 7h e é organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná (Fetropar) e Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (Sitro-FI).
Os trabalhadores reclamam que a Comissão Mista Brasil-Paraguai, responsável pelas regras de tráfego na fronteira, liberou a passagem de caminhões de porte pequeno na ponte das 7h às 19h a partir do dia 3. No entanto, cerca de 200 veículos de carga de grande porte do Brasil, que já circulam vazios pela via, vão continuar com horário restrito, tendo a passagem liberada apenas das 20h30 às 5h. Atualmente, o horário em vigor é das 22h às 5h.
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de Foz do Iguaçu e Região Oeste (Sintrofi), Rodrigo Andrade de Souza diz que os caminhoneiros brasileiros ficam parados em condições insalubres em Presidente Franco aguardando a liberação para fazer a travessia.
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“É uma injustiça, uma desigualdade com nossos caminhoneiros. Precisamos cobrar do governo do Brasil e do Paraguai que esta ponte funcione”, afirma em um vídeo gravado na rede social do sindicato.
Em nota, as entidades sindicais argumentam que não há estrutura em Presidente Franco para os motoristas brasileiros ficarem parados esperando o horário para cruzar a ponte. Falta segurança, água potável e condições adequadas de higiene. Eles prometem fazer uma paralisação na Ponte da Integração.
As entidades querem que os a caminhões de grande porte recebam o mesmo tratamento dos demais e possam circular pela ponte das 7h às 19h. Um ofício com informe sobre a manifestação foi enviado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil pelas entidades.
A mudança no tráfego da ponte faz parte do cronograma de abertura da via, que ainda funciona parcialmente devido às obras atrasadas no lado do Paraguai. A expectativa é a de que cerca de 350 caminhões de pequeno porte comecem a circular pela estrutura.
Retorno será pela Ponte da Amizade
A liberação da ponte para caminhões de pequeno porte foi uma decisão tomada em junho pela comissão mista. Conforme o cronograma de funcionamento divulgado, esse tipo de veículo poderá cruzar a Ponte da Integração vazio das 7h às 19h. Contudo, o retorno com carga só será possível pela Ponte da Amizade.
Do ponto de vista logístico, o presidente do Sindicato dos Transportadores de Foz do Iguaçu e Região (Sindfoz) Celso Gallegario relata que o setor vê a ampliação do número de veículos na ponte de modo positivo. Segundo ele, os caminhões de pequeno porte circulam durante todo o dia pela Ponte da Amizade e geram impactos no trânsito nos dois sentidos.
“Permitir que essas operações sejam realizadas pela Ponte da Integração representa uma solução técnica e inteligente que organiza o fluxo de veículos e melhora a logística da fronteira”, salienta.
Gallegario avalia que a demora na abertura total da Ponte da Integração causa um prejuízo estimado de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões ao ano para o comércio bilateral entre Brasil e Paraguai. No ano passado, essa troca comercial chegou a R$ 8 bilhões, porém poderia ser maior, opina.
A Comissão Mista Brasil-Paraguai também decidiu ampliar o trânsito de ônibus. A passagem para coletivos de turismo de transporte urbano internacional da linha Foz do Iguaçu–Puerto Presidente Franco estará liberada das 7h às 19h, sendo necessário a apresentação do Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço.
O trânsito de ônibus de turismo fretados que não tenham como destino final Foz do Iguaçu e Ciudad del Este passa a ser permitido durante 24 horas, bem como de ônibus de linhas internacionais.
De acordo com a Receita Federal (RF), a alfândega de Foz do Iguaçu vem preparando-se para a futura operação integral da ponte, inclusive com planejamento de equipes para atuação em regime de 24 horas.
O Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguassu (Codetri) pleiteava a liberação de carros de passeio pela ponte, no entanto o pedido não foi atendido.
Dados do Codetri indicam a dimensão da movimentação fronteiriça. Em 2025, o Porto Seco de Foz do Iguaçu movimentou cerca de US$ 9,8 bilhões e se consolidou como o maior centro logístico rodoviário da América do Sul.
O Paraguai foi o principal parceiro do Brasil, respondendo por 77,5% do movimento total, com 166.661 caminhões (77.739 na exportação e 88.922 na importação), de acordo com dados da RF.

