Maior produtor de maconha da América do Sul, o Paraguai fornece cerca de 80% da erva consumida no Brasil, conforme estimativas das agências antidrogas dos dois países.
Diferentemente da cocaína, que apenas passa pelo Paraguai antes de chegar ao Brasil ou à Argentina, a maconha tem cultivo local.
Clãs paraguaios e grupos transnacionais, como os brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), possuem ampla rede operacional no país.

Ao ter o Brasil como principal mercado, os narcoagricultores paraguaios buscam desenvolver seus negócios nas proximidades da fronteira.
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Atualmente, as maiores plantações de maconha do Paraguai estão na região de fronteira seca com Mato Grosso do Sul. Escassamente povoado, o local possui relevo acidentado (na comparação com as planícies paraguaias) e pouca infraestrutura de acesso.
Os departamentos (estados) fronteiriços de Amambay e Canindeyú concentram a maior parte dos pés de maconha.
As plantações ficam nas localidades do interior, em pontos de difícil acesso por terra, enquanto os “negócios” estão concentrados em cidades como Pedro Juan Caballero (Amambay) e Salto del Guairá (Canindeyú).
Nos últimos anos, porém, as autoridades do Paraguai têm detectado o avanço das plantações em larga escala para outras áreas do país.
É o caso, por exemplo, dos departamentos de Caaguazú, Caazapá e Alto Paraná, cuja capital é Ciudad del Este. No Alto Paraná, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) já destruiu plantações em municípios como Ñacunday, às margens do Rio Paraná.

Maconha e desmatamento no Paraguai
Lavouras de maconha costumam estar escondidas, entre outros locais, em remanescentes de mata nativa. Nos casos mais extremos, os traficantes chegam a invadir parques nacionais, derrubando parte da cobertura vegetal nativa.
Estimativas da Senad dão conta de que cada hectare de plantação produz aproximadamente três toneladas de maconha no Paraguai. Além disso, devido ao clima favorável, a erva pode render de duas a três “safras” ao longo do ano.
Quadrilhas brasileiras que, posteriormente, se encarregam da distribuição contribuem com o ecossistema marihuanero, fornecendo insumos como sementes.
Há relatos, ademais, da contratação de profissionais como agrônomos para melhorar a produtividade e a qualidade da erva produzida no Paraguai, como as variedades do tipo premium, que contam com maior teor de substâncias alucinógenas.

