Renunciou ao cargo de presidente do Paraguai, às 13h16 desta quinta-feira (5), o economista Santiago Peña, do Partido Colorado (direita).
A renúncia foi confirmada, pelo próprio Peña, em vídeo publicado na rede social X (assista abaixo). Às 13h28, o ministro do Interior, Enrique Riera, chegou à sede do Congresso Nacional, no centro de Assunção, para a entrega do pedido formal.
Pela manhã, às 10h, o Legislativo abriu sessão extraordinária para votar o pedido de impeachment do presidente do Paraguai. Na ocasião, mesmo parlamentares da bancada governista anunciaram, em seus pronunciamentos no plenário, apoio à destituição.
Deputados da oposição e da dissidência do Partido Colorado apresentaram, na terça-feira (3), denúncia contra o presidente, contendo cinco pontos principais.
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De acordo com os acusadores, Peña teria atuado de forma omissa e com conflito de interesses no caso ueno bank (clique aqui para saber mais). O presidente do Paraguai, que teve participação na holding gestora do banco até 2025, negou irregularidades.
Com a renúncia, que será apreciada por deputados e senadores no período da tarde, o presidente busca evitar a perda do foro privilegiado e dos direitos políticos. Caso sofresse o impeachment, dado como certo, Peña perderia prerrogativas jurídicas.
Com a queda de Santiago Peña, o comando do Paraguai ficará sob a responsabilidade do vice-presidente Pedro Alliana. Em seguida à posse de Alliana, o Congresso fará votação indireta para confirmar o senador colorado Antonio Barrios como vice-presidente.
Cabe ressaltar, contudo, que a oposição também apresentou pedido de impeachment contra Pedro Alliana, apontado como virtual candidato colorado à presidência em 2028.
ATUALIZAÇÃO – 14H06: a Câmara dos Deputados do Paraguai recusou, por 48 a 30, a abertura de processo de impeachment contra Pedro Alliana.
Escândalo milionário no Paraguai
Na madrugada de terça-feira, o Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou intervenção no ueno bank, sob o argumento de que o banco não contava com a liquidez mínima exigida pela legislação do país para o funcionamento de um banco.
Assim, os cerca de três milhões de clientes, de um total de sete milhões de habitantes do país, ficaram sem acesso às próprias contas, gerando protestos.
Conforme o BCP, o Fundo Garantidor de Depósitos (FGD) deverá cobrir a devolução da totalidade dos recursos de até 98% dos correntistas. O processo de pagamento, inicialmente parcial, poderá ter início ainda nesta semana.
O bloqueio dos fundos do ueno bank atingiu, principalmente, trabalhadores de baixa renda e aposentados bancarizados por meio do banco digital. Isso ocorreu nos dias de pagamento de salários e benefícios, agravando a situação de milhares de famílias.

