Parlamentares opositores do Paraguai protocolaram, na Câmara dos Deputados, pedido de destituição do presidente Santiago Peña. No entender dos autores da proposição, Peña é o responsável político pela crise envolvendo a liquidação do ueno bank.
Na terça-feira (3), quase três milhões de correntistas acordaram com a notícia de que estavam sem acesso ao próprio dinheiro. As agências amanheceram fechadas, enquanto os canais digitais estavam bloqueados para operações.
Devido à falta de liquidez, o Banco Central do Paraguai (BCP) determinou o encerramento das atividades do ueno bank. Em paralelo, afirmou tratar-se de um caso isolado, sem risco de contágio para o restante do sistema financeiro.
Ademais de protestos nas ruas, a situação gerou um terremoto no primeiro escalão do governo paraguaio, com acusações contra o presidente Santiago Peña.
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Economista, Peña manteve relação com a holding controladora do ueno bank até março de 2025, quando deixou de ter participação. Além disso, nomeou a diretoria do BCP, responsável pela fiscalização do mercado financeiro no Paraguai.
Daniel Centurión, líder da bancada dissidente na Câmara dos Deputados, disse que o bloco pretende incluir o pedido de impeachment já na pauta de quinta-feira (5). O grupo ainda não conta com os votos necessários, no entanto espera somar apoios.
“Não devemos pensar nos partidos, mas na pátria e na população”, afirmou Centurión, citado pelo jornal Última Hora. “O que aconteceu afeta principalmente o trabalhador. Precisamos garantir o atendimento aos pequenos poupadores.”
Pronunciamento do presidente
Após permanecer em silêncio na terça-feira, o presidente Santiago Peña publicou, em suas redes sociais, mensagem endereçada ao povo do Paraguai.
“Entendo a incerteza que uma situação como essa causa e sei que por trás de cada depósito está o esforço e o trabalho de milhares de paraguaios”, discursou. “Quero transmitir tranquilidade. O sistema financeiro é forte e tem mecanismos de proteção.”
Conforme Peña, o Fundo de Garantias de Depósitos (FGD) possui capacidade para cobrir cerca de 98% dos depósitos mantidos pelos clientes no ueno bank. O pagamento deverá começar ainda nesta semana, até a próxima sexta-feira (6).
Vice-presidente do Paraguai
Também ameaçado de destituição, o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, negou participação no caso ueno bank. “O único que posso dizer é que meu cargo não me permite tomar decisões sobre o assunto”, declarou.
O pedido de impeachment apresentado pela bancada de oposição tem como alvo toda a chapa presidencial, inclusive Alliana. Muitos dos deputados, porém, estão inclinados a analisar a destituição apenas do presidente, poupando o vice.
Santiago Peña e Pedro Alliana integram o Partido Colorado (direita), dono das maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado. Alliana figura como o possível candidato do partido à presidência do Paraguai em 2028.

