A nossa Foz do Iguaçu no tempo e no espaço

José Afonso de Oliveira, sociólogo e professor universitário, fala sobre a sociedade de Foz do Iguaçu.

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Prof. José Afonso de Oliveira – OPINIÃO

Ainda temos muito o que trabalhar na nossa cidade em termos culturais, mas isso tem uma grande relevância e importância para conseguirmos entender melhor quem somos e o que desejamos.

De alguma forma, essa cidade foi sempre um local de migrantes de outras áreas do Brasil e mesmo dos países vizinhos, Paraguai e Argentina. Por conta disso, foi construída aqui uma sociedade muito interessante, um verdadeiro lençol de retalhos de povos de várias e diferentes origens.

Portanto, entendemos que aqui tudo é passageiro e que, de uma forma ou de outra, um dia deixaremos a cidade para retornarmos às nossas origens ou mesmo buscarmos outros locais para vivermos. Isso, claro, implica que tenhamos destruído tudo o que marcava o nosso passado. Arquitetura, avenidas, praças… Com o passar do tempo, tudo isso foi desaparecendo, dando lugar à modernidade, novas construções, grandes avenidas que cortam a cidade.

Contudo, curiosamente, não temos praças. A cidade não possui um centro e este, quando mencionado, refere-se a uma avenida central.

O fato de não termos uma praça é muito sintomático de que as pessoas não dispõem de tempo para conversar, admirar a cidade e seus espaços. Enfim, isso, de alguma maneira, faz-nos estranhos em nossa própria cidade. Não nos identificamos com a nossa cidade, onde vivemos o nosso dia a dia.

Por conta disso, também faltam algumas estruturas arquitetônicas na cidade, tais como teatro e museu, espaços para apresentações artísticas, corais etc. É muito comum, e neste ano não será exceção, candidatos afirmando quererem construir esses espaços se forem eleitos, mas nada é realizado, uma vez que a cultura por aqui tem baixo valor de agregação e vivência, além, é claro, de ser um grande e bom gerador de empregos.

Entretanto, a ênfase maior de toda essa nossa história recente está afeta a uma transformação profunda que nossa sociedade está agora vivenciando. Não somos mais migrantes e, assim, passamos a ser moradores, assumimos a nossa identidade com a cidade e, também por conta desse aspecto extremamente importante, desejamos ter uma sensível melhoria nas nossas condições de vida e receber igualmente oportunidades de podermos exercer novas funções em nossa cidade, a fim de construirmos uma sociedade que possa ser muito melhor do que esta em que ora estamos vivendo.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.


Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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