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Fotografia e Cinema

Na Paulista, Unila expõe a estética do futebol de várzea latino-americano

"O Outro Lado da Taça" reúne fotos de Fran Rebelatto e do argentino Guillermo Rovira sobre as peladas da Tríplice Fronteira. Curadoria de Andréia Moassab e Luciano d'Miguel.

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Na Paulista, Unila expõe a estética do futebol de várzea latino-americano
Antes da pelada, os meninos da fronteira encaram a lente: é essa infância, longe dos estádios, que a exposição coloca em primeiro plano. Foto: Fran Rebelatto (Unila)/Guillermo Rovira.

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) leva a São Paulo (SP) a exposição fotográfica O Outro Lado da Taça: A Copa no chão da Fronteira. A mostra está em cartaz no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, e segue em exibição, até 24 de junho, no piso térreo do prédio.

A Unila realiza a exposição em parceria com a galeria Verarte. Antes de tudo, a proposta é política: olhar para fora dos holofotes voltados à Copa do Mundo. Assim, enquanto os grandes torneios celebram estádios de última geração, a exposição vira a câmera para as tardes de jogo na terra batida, para a memória afetiva e o improviso das periferias latino-americanas.

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A curadoria é de Andréia Moassab e Luciano d’Miguel, que também assina os haicais — pequenos poemas — que legendam as fotos. Para aproximar o público da arte, o projeto ocupa uma das vias mais movimentadas de São Paulo, a Avenida Paulista. Dessa forma, em vez de uma galeria fechada, estudantes, trabalhadores e quem passa pela calçada entram em contato direto com as obras.

Duas fronteiras, um mesmo jogo

O centro da exposição está no diálogo entre o ensaio em preto e branco da brasileira Fran Rebelatto e o set de filmagem do longa Ahora, Después (2013), do argentino Guillermo Rovira. Rebelatto, que é fotógrafa, cineasta e professora da Unila, fotografa de perto a textura do real: o suor sem filtro, a poeira do entardecer, as chuteiras remendadas, as crianças que se misturam à paisagem. Rovira, por sua vez, traz a paisagem do Nordeste argentino, o silêncio depois do apito final e um cotidiano áspero, longe do cartão-postal turístico da região.

As imagens foram captadas na faixa de fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Ali, o futebol de várzea aparece como patrimônio vivo e âncora social. Além disso, os registros mostram como o esporte preserva sotaques e práticas comunitárias antigas e como resiste à gentrificação que ameaça os campos de periferia. Muitas vezes, aliás, esses espaços são o único refúgio de lazer que resta a essas comunidades.

Futebol como ponte na América Latina

Mais do que esporte, o futebol das vielas e das beiras de rio funciona como fator de unidade regional. Nesse sentido, a mostra evidencia que o “peladeiro” de Misiones, na Argentina, repete os mesmos gestos e a mesma paixão do jogador de uma favela brasileira ou de uma aldeia no Chaco paraguaio. Ou seja, pela cultura, o futebol une os povos latino-americanos justamente onde a competição oficial costuma separar.

Serviço

O Outro Lado da Taça: A Copa no chão da Fronteira

De 29 de maio a 24 de junho

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Conjunto Nacional — piso térreo Avenida Paulista, 2073, Consolação, São Paulo (SP)

Aberto das 6h às 22h

Entrada gratuita

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    Vacy Álvaro

    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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