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Cultura negra, Hip Hop e Sound System movimentam o CNI Cidade Nova durante jogo do Brasil

Evento reuniu artistas, ativistas, autoridades e comunidade em celebração da cultura periférica e dos 10 anos da editora Kapivara Preta.

4 min de leitura
Cultura negra, Hip Hop e Sound System movimentam o CNI Cidade Nova durante jogo do Brasil
Mais do que festas de rua, os Sound Systems representam espaços de encontro - Foto: Flávia Dorneles

Por Flávia Dorneles

Enquanto a Seleção Brasileira entrava em campo no último sábado (5), quem escolheu a Biblioteca Comunitária Cidade Nova Informa (CNI) para assistir o jogo encontrou um outro espetáculo: uma grande celebração da cultura negra, do Hip Hop e da cultura Sound System, reunindo importantes nomes da cena cultural de Foz do Iguaçu e da região.

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Reconhecido como Ponto de Cultura Viva, o CNI abriu suas portas para um encontro que reuniu música, memória, literatura, arte e resistência. A programação contou com apresentações de Câe Traven (DJ Uhuru Selector), um dos pioneiros do Hip Hop em Foz do Iguaçu; MC Kanibal, cria da cidade na região do Maracanã e hoje atuante na cena cultural de Buenos Aires; DJ Leandro Dub, com seu potente Sistema de Som Profecia Dub, primeiro sistema de som artesanal da região da tríplice fronteira; e DJ Mano Zeu, que aproveitou a ocasião para apresentar uma exposição em comemoração aos 10 anos da editora cartonera Kapivara Preta, referência na produção editorial independente.

O evento também recebeu a visita de Michel Urania, membro da secretaria estadual de cultura do PT, que destacou o papel desempenhado pelo CNI na promoção da cultura nas periferias.” O CNI demonstra mais uma vez, como um Ponto de Cultura Viva, que pode fortalecer a identidade da comunidade e ampliar o acesso à cultura”, afirmou o secretário.

Durante a programação, Dona Elza e Sr. Zé, integrantes da diretoria do CNI, lembraram que muitos dos artistas, produtores culturais e ativistas presentes iniciaram sua trajetória dentro das atividades desenvolvidas pela entidade. “São filhotes do CNI e motivo de muito orgulho para nós”, destacaram.
Para Câe Traven, que pré-candidato a deputado estadual e diretor colegiado do Núcleo Antirracista Aqualtune de Foz do Iguaçu, investir em cultura é investir no futuro da juventude periférica. “A cultura precisa ser o caminho para salvar a juventude da periferia. Quando o jovem encontra espaços para se expressar e construir identidade, ele encontra também novas possibilidades de vida. Foi assim comigo e essa é a minha luta”, afirmou.

A força da cultura Sound System

Um dos pontos altos da programação foi a apresentação do Profecia Dub, levando ao público a experiência da cultura Sound System.

Nascida na Jamaica nos anos 1950, essa tradição é formada por grandes aparelhagens de som construídas artesanalmente e pelos coletivos responsáveis por operá-las. Mais do que festas de rua, os Sound Systems representam espaços de encontro, circulação de música independente e fortalecimento das culturas negras e periféricas.

A estrutura reúne diferentes funções, como o Selector, responsável pela escolha das músicas; o Sound Man, que controla a potência e a qualidade do som; e o MC, que conduz a interação com o público e apresenta mensagens de resistência, identidade e conscientização.

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Embora tenha suas raízes no Reggae, Dub e Dancehall, a cultura Sound System dialoga hoje com diversos gêneros, como Rap, Jungle e Bass Culture, mantendo sua essência como ferramenta de organização comunitária, resistência política e valorização da cultura popular.

Cultura, celebração e comunidade

Além da intensa programação cultural, o encontro também marcou a comemoração do aniversário do voluntário da Horta Comunitária do bairro Cidade Nova, Doug Oliveira, figura querida na comunidade. 

No fim das contas, quem saiu derrotada foi apenas a Seleção Brasileira. No CNI, a cultura negra, o Hip Hop, o Sound System e a comunidade celebraram uma grande vitória: a reafirmação da periferia como espaço de produção artística, memória, pertencimento e transformação social.

Flávia Dorneles é pesquisadora, especialista em Letramento Racial e colunista, dedicada à produção de conteúdo sobre diversidade, inclusão, relações étnico-raciais e educação antirracista.

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