Eles deixaram o país de origem para fugir do conflito e da miséria e hoje apostam no Brasil. Com tino empreendedor, jovens haitianos abrem o próprio negócio e contribuem para a expansão do comércio de bairro de Foz do Iguaçu.
Música, comida típica e troca cultural: o Haiti pulsa em um bar de Foz do Iguaçu
Um dos mais recentes estabelecimentos comerciais em atividade é o Kalbas Market, um supermercado situado na Vila C, Região Norte da cidade. O Kalbas surgiu a partir da iniciativa de Benedict Joseph, 33 anos.
Graduado em Administração Pública na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Joseph mora há mais de dez anos no Brasil e percebeu que já era hora de oferecer algo para o país.
Filho de comerciantes, ele conta que, após receber o diploma na Unila, morou por dois anos nos Estados Unidos com a perspectiva de juntar dinheiro para abrir o estabelecimento. Lá, decidiu fazer a sociedade com outras quatro pessoas para abrir o mercado.
Uma das sócias é a esposa de Joseph, a colombiana Estefani Sembergman, 26 anos. Aluna do curso de Letras na Unila, ela não pensa mais em deixar o Brasil. “Para mim, o Brasil é minha casa, meu lar.”

Estefani diz ter escolhido morar na Vila C pela proximidade com a Unila e pelo fato de considerar o bairro seguro e ter pessoas boas e calorosas.
O estabelecimento tem três funcionárias, todas estudantes da Unila.

Produtos latino-americanos e caribenhos
O Kalbas é um mercadinho de bairro onde há “de tudo um pouco”. Desde produtos de higiene, pães a hortifrutigranjeiros. Uma seção é dedicada apenas a produtos latino-americanos. São itens típicos da Venezuela, da Colômbia e do próprio Haiti que estão à venda.
Encontra-se lá chips de banana-da-terra, doces, cerveja de malte sem álcool. Apesar de importados, os itens são adquiridos no próprio Brasil e atendem a comunidade latino-americana radicada em Foz do Iguaçu.
A gôndola latino-americana é um presente para os imigrantes, relata Joseph. Quem quiser oferecer produtos típicos do país de origem possui um espaço próprio no Kalbas.

Complexo comercial
Na área vizinha ao mercado, novos empreendimentos de haitianos estão surgindo. Na vizinhança da esquerda, há um estúdio chamado Polyvisual, com serviço de fotos, vídeos e podcasts. Já na direita, existe projeto para abrir um disque-bebidas.
Nos fundos do mercado, um pequeno espaço se transformará em um aconchegante bar com projeto arquitetônico “descolado”.
O estúdio tem como sócios John Kerry Forestal, 35 anos, estudante de Mediação Cultural, e Esaie Auguste, 34 anos, aluno de Serviço Social. Os outros dois sócios são Jemsley Roseme, estudante de Cinema, e Marc Olbrey Jules.

John revela que já presta serviço de fotografia em eventos e casamentos em Foz, há cerca de quatro anos, na condição de microempreendedor individual (MEI). A ideia agora é ter um espaço próprio e expandir o negócio. “Estamos dando de volta o que o Brasil deu para nós”, comenta.
Ele diz que chegou a Foz em 2020, em plena pandemia, sem a família, e daqui não saiu mais.
Serviço:
Kalbas Market
Rua C, 555 — Vila C


