A arte corporal da henna povoa o imaginário de povos de diferentes culturas que vivem na fronteira. Com desenhos indianos, árabes, marroquinos ou modernos, as tatuagens de henna estão cada vez mais presentes em casamentos, aniversários e datas especiais.
Artista de henna, Jahnavi Britez tem 19 anos e, apesar do nome indiano, é paraguaia, contudo cultiva muito apreço pela cultura árabe. O nome Jahnavi, conta, vem do rio mais sagrado da Índia e foi resgatado pela família do pai, que tem origem hindu.
Ela cresceu em uma família hindu, via a mãe fazer henna e aprendeu a frequentar missas católicas e hindus.
Personagem típica do caldeirão cultural da Tríplice Fronteira, Jahnavi faz tatuagens de henna, aos finais de semana, na Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, no Jardim Central, em Foz do Iguaçu, e no período de Ramadã, principalmente no festejo do último dia, no qual as mulheres se embelezam. Também é requisitada para trabalhar em casamentos e comemorações especiais.
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Estudante de Relações Internacionais em Ciudad del Este, ela relata que a henna entrou na sua vida há um ano e se tornou trabalho e hobby.

Jahnavi começou a trabalhar com os desenhos depois que ganhou rena de uma amiga. Inicialmente, fez uma tatuagem em si mesma. Depois que saiu na rua, começaram as perguntas para saber quem era a autora dos desenhos.
Então, ela passou a fazer rena nas amigas e, com o tempo, abriu um perfil em rede social. Assim, a prática virou um trabalho. Atualmente, a estudante atende principalmente noivas que a chamam para colocar rena nas mãos às vésperas do casamento.
Henna um dia antes de casar
Ela diz ser tradição para noivas das culturas árabe, indiana e bangladeshiana fazer um dia antes do casamento, porque representa bênçãos para o casal. A artista explica que a henna natural pigmenta após 24 horas da aplicação, e quanto mais vermelho ficar significa que mais forte é o amor do homem pela mulher.
A tradição continua logo após o casamento. O marido precisa encontrar o nome dele na tatuagem de rena da esposa. Caso não encontre, ele é obrigado a oferecer dinheiro à mulher. “Eu tento esconder bem”, revela.

Outro evento comum na fronteira é a Noite de Henna, uma espécie de despedida de solteiro em que a família dos noivos se reúne para ver a noiva embelezar-se.
Em alguns casamentos, Jahnavi também costuma ser contratada para fazer rena nos convidados durante a festa.
A henna é uma arte corporal feita a partir da planta Lawsonia inermis. Há registros do uso de rena há mais de 5 mil anos. A rena também pode ser utilizada em cabelos, unhas e sobrancelhas.

