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Pluralidade X 'efeito Tiririca'

Como são eleitos deputados federais e estaduais? Entenda a votação proporcional

Candidato conta com os votos dos demais concorrentes da mesma legenda ou federação; nem sempre o mais votado individualmente consegue uma cadeira.

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Como são eleitos deputados federais e estaduais? Entenda a votação proporcional
Em 4 de outubro, deputados federais e estaduais serão eleitos pelo voto proporcional - foto: TRE-PR arquivo

O Brasil utiliza o chamado sistema de votação misto. Enquanto no formato majoritário vence o candidato mais votado, para os cargos do Poder Executivo e de senador, o voto proporcional é mais complexo. É ele que elegerá deputados federais e estaduais no pleito deste ano, assim como é usado para a escolha de vereadores nas cidades.

Explica o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que os votos servem para eleger o candidato, mas também para fortalecer o partido ou a coligação. “Os votos de legenda ou nominais são somados e, a partir disso, as vagas são distribuídas proporcionalmente ao desempenho de cada partido nas urnas”, reforça.

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O objetivo é efetivar algo que no país não é muito verificado na prática, que é dar força ao partido. Por esse entendimento, o mandato do parlamentar eleito pertence à legenda, não ao nome individual. E também garantir uma certa pluralidade.

A conta parte de uma visão geral simples: quanto mais votos destinados a um partido, a mais vagas ele vai ter direito. É por isso que esse formato recebe o nome de “proporcional”.

Nele, o eleitor poder ir às urnas e expressar o seu alinhamento ao partido, podendo optar pelo voto de legenda. Para isso, ele digita na urna o número corresponde à agremiação que apoia.

Outra característica do sistema proporcional é que nem sempre o candidato mais votado fica com a vaga. Nas últimas eleições municipais em Foz do Iguaçu, por exemplo, o vereador eleito com menor número de escrutínio recebeu 1.780 votos. E cinco concorrentes ao cargo fizeram votação maior do que essa, mas ficaram na suplência.

Parece injusto, porém a intenção segue ao contrário, buscando fortalecer o sistema democrático de representação, tentando contemplar, tando quanto seja possível, a diversidade de agremiações na disputa.

Mas há deformações. Uma delas é o popularmente lembrado “efeito Tiririca”, em que um candidato recebe uma enorme quantidade de votos, ajudando a eleger vários outros com votação ínfima. Inclusive, essa é a estratégia de muitos partidos para formar bancadas maiores, superdimensionando a real inserção da agremiação na sociedade, colocando como puxadores de voto de artistas a celebridades de ocasião.

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Eleição proporcional

Os quocientes são a peça-chave para desvendar a votação proporcional para deputados federais e estaduais. “Ao votar em uma candidata ou um candidato, mesmo que essa pessoa não seja eleita, o voto pode ajudar a eleger outra da mesma agremiação. Quem ocupa os cargos que o partido conquistou são os mais votados pela sigla ou federação”, sublinha o TSE.

Atenção ao que são quocientes eleitoral e partidário e às sobras de vaga:

  • quociente eleitoral (QE): resultado da divisão da quantidade de votos válidos pelo número de vagas a serem preenchidas. Despreza-se a fração, se igual ou inferior a 0,5, ou arredonda-se para um, quando esse número é superior;
  • quociente partidário (QP): é o número de votos válidos ao partido ou federação dividido pelo quociente eleitoral (desprezada a fração). O total dará o número de cadeiras a serem distribuídas para a legenda, que vão sendo ocupadas pelos mais votados. 

Por fim, a distribuição das sobras ocorre por cadamadas, disputada por todos os partidos do pleito. Primeiro, partidos/federações com pelo menos 80% do quociente eleitoral e candidatos a partir de 20% deste mesmo quociente. Na sequência, restando cadeiras, é feito a partilha entre todas as legendas e federações.


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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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