DER vai restaurar, com verba de Itaipu, Ponte Ayrton Senna, em Guaíra

Pela ponte passam diariamente, segundo o DER, 15 mil veículos. Foto: DER

Município merece todo apoio. Foi o que mais perdeu com reservatório da usina.

Tudo o que se fizer pelo município de Guaíra, será por justiça. Alguns municípios perderam áreas para a formação do reservatório de Itaipu. Mas Guaíra perdeu, em 1982, um atrativo ímpar no mundo, as Sete Quedas, que submergiram com o represamento do Rio Paraná.

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O Brasil e o Paraguai ganharam com Itaipu, fundamental para os dois países. Mas Guaíra ficou sem a maior queda do mundo em volume de água, que atraía milhares de visitantes anualmente, apesar de todas as dificuldades da época para se chegar até lá.

Todo este prólogo é para destacar que o Departamento de Estradas de Rodagem vai reformar a Ponte Ayrton Senna, que liga Guaíra a Mundo Novo (MS) e permite um acesso direto a Salto del Guairá, no Paraguai.

Os recursos virão da Itaipu Binacional e, conforme a proposta do consórcio vencedor da licitação, chegarão a R$ 18.204.093,77.

Com prazo de execução de 18 meses, a partir do início das obras, haverá restauração, recuperação e reforço estrutural da ponte, bem como nova iluminação pública, com luminárias LED, numa extensão de 3,6 quilômetros.

Será executado ainda um novo pavimento de concreto em 1,1 km da rodovia de acesso à ponte, no lado paranaense, e haverá também a execução de melhorias no sistema de drenagem e serviços de manutenção em todo o trecho contemplado durante a obra.

Segundo o DER, passam pela ponte diariamente, em média, 15 mil veículos, entre carros de passeio que se deslocam para Salto del Guairá e caminhões que transportam a rodução agrícola da região Centro Oeste e do Paraguai rumo ao Porto de Paranaguá ou a Santa Catarina.

A obra de recuperação da Ponte Ayrton Senna é objeto de convênio entre o Governo do Paraná, Itaipu Binacional e Governo Federal, sendo o DER/PR responsável pela licitação e execução da obra.

Convênios semelhantes já resultaram nas obras em andamento da nova Ponte da Integração Brasil – Paraguai, nova rodovia perimetral leste de Foz do Iguaçu, pavimentação da Estrada Boiadeira entre Icaraíma e Umuarama, duplicação do Contorno Oeste de Cascavel e duplicação da BR-277 no mesmo município.

Também em convênios semelhantes estão incluídas a licitação da pavimentação da estrada entre Ramilândia e Santa Helena e a futura licitação do Contorno de Guaíra.

As Sete Quedas, submersas com a formação do reservatório de Itaipu, em 1982.

A PERDA

Somente em 2019 o governo reconheceu que Guaíra foi o município que mais sofreu com a construção de Itaipu e, a partir de então, passou a ter uma fatia maior de dólares pela produção de energia.

Guaíra recebia 4,8% dos dólares pagos por Itaipu aos municípios lindeiros e, desde então, recebe 8%. Isso significou mais de R$ 1 milhão por mês para o município.

Provavelmente, ainda não compensa a perda de Sete Quedas, que desapareceram em outubro de 1982.

Naquele ano, nove meses antes, Guaíra foi notícia nacional por causa de uma tragédia. Uma ponte pênsil que permitia visualizar do alto o atrativo das quedas desabou e provocou a morte de 32 pessoas. Cerca de mil turistas ficaram isoladas e tiveram que ser resgatados por helicópteros.

Hoje, quem visita Guaíra tem a opção de passear de barco pelo local onde ficavam as quedas d´água (que eram 19, e não sete como indicava o nome). Naquele ponto do rio, as correntezas são mais fortes. E é possível também observar rochas que formavam os paredões de Sete Quedas.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.