Quem nunca disse ou pensou: “Eu te avisei”? A expressão parece inocente, quase automática. Surge quando alguém toma uma decisão que contrariou um conselho que recebeu, quando uma escolha dá errado ou quando aquilo que prevíamos finalmente acontece. Mas, por trás dessas três palavras, pode existir muito mais do que a simples constatação de que estávamos certos.
Existe uma satisfação íntima em perceber que o outro fez exatamente aquilo que havíamos alertado para não fazer. É como se o resultado confirmasse a nossa capacidade de enxergar antes, de saber mais, de ter razão. E é justamente aí que vale a pena parar e olhar para dentro.
Afinal, quando dizemos “eu te avisei”, estamos realmente preocupados com o que aconteceu com o outro ou estamos, ainda que inconscientemente, celebrando o fato de termos acertado?
A questão não está em deixar de alertar, aconselhar ou compartilhar uma percepção. O ponto é perceber o que acontece depois. Muitas vezes, o nosso ego pode ocupar um espaço maior do que a própria assistência que poderíamos oferecer. Em vez de acolher quem está diante de uma dificuldade, podemos acabar reforçando que tínhamos razão. Em vez de perguntar “como posso te ajudar?”, a nossa prioridade passa a ser “viu? Eu avisei”.
O “eu te avisei”, nesse sentido, diz muito mais sobre o nosso modus operandi do que podemos imaginar. Fala sobre a maneira como nos relacionamos, sobre a necessidade de estarmos certos, sobre o modo como lidamos com o erro do outro e, principalmente, sobre aquilo que colocamos à frente quando alguém precisa de nós.
É essa reflexão que está no centro do novo episódio de Quem foi que disse?, que parte de uma situação cotidiana para provocar uma pergunta que talvez seja mais desconfortável do que parece: quando temos razão, o que fazemos com ela?
No episódio desta semana, uma situação envolvendo uma prova e o conhecido “eu falei para você estudar mais” mostra como uma frase aparentemente simples pode ganhar outro significado quando o outro está precisando, antes de tudo, de acolhimento. Porque ter razão não significa necessariamente estar ajudando. E saber disso pode mudar completamente a forma como escolhemos comunicar-nos.
Assista ao novo episódio:
Quem foi que disse? é uma realização do H2FOZ com apoio do Instituto Polo Iguassu.

