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Não jogue isso fora: quando guardar objetos também é guardar memórias

Quem nunca abriu uma gaveta, um armário ou uma caixa e encontrou um objeto que não usa há anos, mas que, por algum motivo, não consegue jogar fora? Fotografias, cartas, roupas, presentes, brinquedos, documentos e ...

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Não jogue isso fora: quando guardar objetos também é guardar memórias
Você também guarda objetos que já não usa, mas não consegue se desfazer deles? Foto: Divulgação

Quem nunca abriu uma gaveta, um armário ou uma caixa e encontrou um objeto que não usa há anos, mas que, por algum motivo, não consegue jogar fora? Fotografias, cartas, roupas, presentes, brinquedos, documentos e até objetos aparentemente sem utilidade podem carregar histórias, lembranças e sentimentos que fazem parte da trajetória de uma pessoa.

Guardar faz parte da vida. Em diferentes momentos, construímos vínculos afetivos com aquilo que nos cerca, e muitos objetos acabam funcionando como uma espécie de ponte com experiências, pessoas e períodos importantes da nossa história. Por isso, antes de chamar alguém de “acumulador”, é importante entender o que está por trás dessa relação com os objetos.

A dificuldade em descartar alguma coisa pode estar relacionada a memórias afetivas, ao medo de perder uma lembrança, à sensação de que aquele objeto poderá ser necessário no futuro ou mesmo à dificuldade de lidar com mudanças e despedidas. Em alguns casos, esse comportamento pode tornar-se intenso e provocar sofrimento ou comprometer a rotina e os espaços de convivência. Mas colocar um rótulo na pessoa não ajuda a compreender o que está acontecendo.

É justamente essa reflexão que o episódio Não Jogue Isso Fora propõe. De forma leve e bem-humorada, o programa apresenta o diálogo entre duas amigas a partir de uma situação bastante comum: uma delas tenta ajudar a outra a desfazer-se de coisas que já não têm utilidade aparente.

A brincadeira, no entanto, também chama atenção para uma questão importante: organizar um ambiente ou ajudar alguém a descartar objetos não significa simplesmente chegar com um “trator” e jogar tudo fora.

Quando existe uma relação afetiva com aquilo que está sendo guardado, retirar os objetos sem o consentimento da pessoa pode representar, para ela, muito mais do que uma simples organização. Pode significar interferir diretamente em suas memórias, escolhas e sentimentos.

Por isso, o ideal é que esse processo seja construído com a participação da própria pessoa, respeitando seus limites e seu tempo. Mais do que limpar um espaço, trata-se de compreender a relação que existe entre aquela pessoa e aquilo que ela escolheu guardar.

Afinal, talvez a pergunta mais importante não seja simplesmente “por que você não joga isso fora?”, mas “o que faz isso ser tão importante para você?”.

Assista ao novo episódio:

O episódio Não Jogue Isso Fora faz parte do programa Quem foi que disse?, uma realização do H2FOZ em parceria com o Instituto Polo Iguassu.

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    Isabela Collares

    Isabela Collares

    Isabela Collares é jornalista em Foz do Iguaçu e apresentadora do quadro "Quem foi que te disse?".

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