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Quando a zoeira vira violência: um novo olhar sobre o bullying

No novo episódio do Quem Foi Que Disse, Isabela Collares aborda um tema essencial que transforma a vida de muitos jovens.

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Quando a zoeira vira violência: um novo olhar sobre o bullying
O bullying nem sempre se apresenta de forma óbvia. Às vezes, começa com o que parece uma “brincadeira” inofensiva. Foto: Divulgação.
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O bullying é uma realidade cada vez mais discutida dentro das escolas — e com razão. As consequências emocionais e sociais dessa forma de violência vão muito além da sala de aula, afetando a autoestima, o rendimento escolar e o bem-estar psicológico das vítimas. Desde as mudanças na legislação de 2024, o tema ganhou ainda mais força: agora, as punições para adolescentes que praticam bullying ficaram mais rigorosas, e o assunto passou a ser tratado com a seriedade que merece.

Assista o novo episódio:

As novas diretrizes ampliam o papel das escolas e da rede de proteção, prevendo intervenções educativas e acompanhamento psicológico, tanto para as vítimas quanto para os agressores. A ideia central é substituir a lógica da punição pela da reeducação e conscientização.

A advogada Camila Olmedo, presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, destaca que a legislação mais recente busca justamente equilibrar esses dois lados.

“Hoje, o Brasil conta com delegacias específicas para acolher casos envolvendo crianças e adolescentes, além de advogados especializados para defender essas vítimas — e também reeducar aqueles que praticam esse tipo de violência, preparando-os para uma convivência mais respeitosa e saudável em sociedade”, explica.

A advogada Camila Olmedo, presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, destaca as ações de reeducação para tratar o tema do bullying nas escolas.

Mas o bullying nem sempre se apresenta de forma óbvia. Às vezes, começa com o que parece uma “brincadeira” inofensiva — até que a repetição e o tom passam a causar constrangimento. Foi o que aconteceu com Helena Bueno, de 16 anos, estudante do ensino médio, que decidiu contar sua experiência.

“Tudo começou quando eu e mais alguns colegas estávamos, durante o intervalo, debatendo trechos da Bíblia. O professor começou a me chamar de ‘a pastora’, mas não de um jeito carinhoso. Ele parou de me chamar pelo meu nome, passando a me chamar frequentemente de ‘a pastora’, e o tom era sempre de deboche. Isso aconteceu várias vezes, e eu comecei a me sentir constrangida e exposta diante dos colegas”, relata Helena.

Casos como o de Helena mostram a importância de compreender a diferença entre uma brincadeira e o bullying. Para que uma atitude seja considerada bullyinig, é preciso haver intenção de constranger ou ofender e que esse comportamento se repita de forma frequente e direcionada. A brincadeira isolada pode ser desconfortável, mas o bullying deixa marcas duradouras e compromete o ambiente escolar.

A estudante Helena, de 16 anos, compartilha uma situação de bullying vivenciada no ambiente escolar, envolvendo suas escolhas religiosas. 

Mais do que punir, a nova perspectiva busca formar cidadãos que aprendam a reconhecer os próprios limites e respeitar os dos outros. Discutir o tema é o primeiro passo para transformar a escola em um espaço de segurança, diálogo e pertencimento — onde a zoeira nunca se confunda com violência. 

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    Isabela Collares

    Isabela Collares é jornalista em Foz do Iguaçu e apresentadora do quadro "Quem foi que te disse?".