Foz do Iguaçu registrou 20 mortes em confrontos com forças de segurança em 2025. No ano anterior, foram oito. Portanto, o salto de 150% em apenas um ano coloca a cidade entre os principais focos desse tipo de ocorrência no Paraná. Os dados constam do balanço divulgado, nessa terça-feira (16), pelo Ministério Público do Estado (MPPR), que acompanha o tema dentro do controle externo da atividade policial.
Ao longo de 2025, a cidade contabilizou 26 intervenções policiais com resultado morte ou lesão corporal. Foram 11 a mais do que no ano anterior, quando o município teve 15 casos. Além dos 20 óbitos, outras 14 pessoas ficaram feridas, três a mais do que em 2024. Somando os dois desfechos, Foz do Iguaçu passou de 19 para 34 vítimas em um ano.
Crescimento bem acima da média do estado
O ritmo de alta em Foz superou de longe o registrado no Paraná como um todo. No estado, as mortes em intervenções policiais cresceram 20,6% entre 2024 e 2025. Na cidade, contudo, o avanço foi de 150%, mais de sete vezes a variação estadual.
A diferença aparece também no número de ocorrências. Enquanto o Paraná teve aumento de 23,1% nesse indicador, Foz do Iguaçu cresceu 73,3%. Ou seja, cerca de três vezes a média.
Com os 26 casos de 2025, Foz responde por 4,87% das ocorrências do estado e aparece em terceiro lugar no ranking estadual, atrás apenas de Curitiba (121 ocorrências) e Londrina (34).
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Mortes em ações policiais saltam 150% em Foz do Iguaçu em um ano
Comparativo de ocorrências, pessoas mortas e feridas em ações policiais nas principais cidades do estado, entre 2024 e 2025.
Números do estado
O documento traz um retrato estadual do fenômeno. Em 2025, 63,2% das intervenções no Paraná aconteceram durante um crime em curso, quando os agentes abordaram pessoas que cometiam algum delito. A arma de fogo apareceu em 74,1% dos 533 casos do estado. Já a arma branca esteve presente em outros 13,9%.
A justificativa predominante para o uso de força letal foi a legítima defesa, presente em 99,2% dos registros estaduais. No entanto, o próprio Ministério Público faz uma ressalva: essa classificação vem dos boletins de ocorrência iniciais e não representa conclusão definitiva sobre a legalidade da atuação policial. Por isso, cada caso segue em apuração pelas promotorias e, quando cabível, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).
Comparações exigem cuidado
Desde 2024, o MPPR passou a incluir na base as ocorrências que terminam em lesão corporal, não só em óbito. Como resultado, o escopo do levantamento ficou mais amplo. Comparações com anos anteriores a 2024, portanto, exigem cautela.
Por fim, o balanço é elaborado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) em conjunto com o GAECO. Além disso, faz parte de uma reformulação iniciada em 2024, que busca entender não somente quantos confrontos ocorreram em cada município, mas também os padrões e os contextos por trás dos números.


