A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Puro Engano, para desarticular um esquema de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual na fronteira, em cidades do Oeste. A ação, nesta terça-feira, 25, cumpre cinco mandados de busca e apreensão: dois em Missal, dois em São Miguel do Iguaçu e um em Itaipulândia.
A investigação começou após autoridades argentinas comunicarem, por meio do Comando Tripartite, o desaparecimento de uma jovem estrangeira em situação de vulnerabilidade na região de fronteira. A partir da cooperação entre os países, policiais federais localizaram e resgataram a jovem, em novembro de 2025, no interior de uma casa noturna situada na zona rural de Missal.
Com o avanço das apurações, foram identificados indícios de um esquema estruturado para trazer mulheres do Paraguai e da Argentina ao Brasil para exploração sexual.
Segundo a investigação, um agenciador fazia o transporte clandestino das mulheres pela fronteira utilizando veículos com placas estrangeiras. Cada deslocamento custava aproximadamente R$ 300. Embora o valor fosse inicialmente pago pelos proprietários dos estabelecimentos, posteriormente era transformado em dívida das próprias mulheres.
Dessa forma, as vítimas iniciavam as atividades já endividadas e permaneciam submetidas à cobrança dos valores. A investigação também identificou a imposição de multas de até R$ 1 mil pelo descumprimento de regras estabelecidas pelos responsáveis pelos locais.
São investigados crimes de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, rufianismo e favorecimento da prostituição ou exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, de acordo com a PF.
Prisão e mulheres em situação irregular
Durante a operação desta terça-feira, todos os mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A ação resultou ainda na prisão de um indivíduo por posse ilegal de arma de fogo.
Em um dos estabelecimentos comerciais alvo da operação, foram localizadas três mulheres paraguaias em situação migratória irregular. Elas foram identificadas e ouvidas pelas equipes policiais e serão orientadas sobre os procedimentos de regularização migratória cabíveis.
O Consulado do Paraguai e a assistência social municipal também foram acionados para garantir apoio e orientação às mulheres.
Migração ilegal
A Polícia Federal reforça que promover, por qualquer meio, a entrada ilegal de estrangeiro em território nacional ou a saída desse para ingressar em território estrangeiro constitui crime de promoção de migração ilegal, previsto no artigo 232-A do Código Penal, com pena de dois a cinco anos de reclusão, sem prejuízo de outras responsabilizações decorrentes da exploração ou de outras condutas criminosas relacionadas.
O nome Operação Puro Engano faz referência às falsas promessas de trabalho e remuneração que, segundo a investigação, eram utilizadas para atrair mulheres em situação de vulnerabilidade social para o Brasil.

