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Sustentabilidade

Manifestantes ocupam Cargill e denunciam ‘privatização’ do Rio Tapajós para transportar soja

Ocupação é forma de protesto e alerta contra danos ambientais que podem impactar além da Região Amazônica.

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Manifestantes ocupam Cargill e denunciam ‘privatização’ do Rio Tapajós para transportar soja
Guerreiros indígenas na ocupação da Cargill, na luta pela vida do Rio Tapajós. Exigindo a revogação do Decreto nº 12.600 e do edital de dragagem. Foto: Instagram CITA
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Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Mais de 200 pessoas, integrantes de movimentos sociais e indígenas de 13 povos, ocupam o terminal portuário da Cargill, a maior empresa de capital privado dos Estados Unidos, com porto em Santarém (PA), desde o dia 22 de janeiro. É um protesto ao que denunciam como a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, por meio da dragagem do leito e da transformação deles em um corredor industrial para o escoamento de soja.  Para tanto, estima-se o investimento, em parceria pública e privada, em torno de R$ 75 milhões, para colocar tal plano em prática. O lucro anual da Cargill em 2025, no mundo, foi de US$ 154 bilhões.

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Os manifestantes exigem a revogação imediata do Decreto n.º 12.600/2025, que quer transformar o Rio Tapajós em um canal industrial para o agronegócio, e a suspensão do Edital de Dragagem n.º 567/2025. Também denunciam a exploração por garimpeiros, exigindo a expulsão deles, e pedem ações emergenciais na área de saúde para atender a comunidade atingida pelo mercúrio. Altamente tóxico, esse metal pesado provoca sérios danos neurológicos e renais e de desenvolvimento tanto em humanos como na vida aquática, porque ele se acumula no ecossistema. Mesmo proibido, os garimpeiros, que também se contaminam, fazem uso do mercúrio para facilitar a coleta, separando-o de outros sedimentos.

  • Os manifestantes denunciam que, ao revolver-se o leito do rio, todo o material sedimentado, como mercúrio e agrotóxicos no fundo, mistura-se com a água que também serve à população. Próximo dali, outro problema é denunciado. Em Alter do Chão, o intenso movimento das barcaças pode erosionar as praias. Famosa, a praia foi considerada pelo jornal britânico The Guardian a melhor praia de água doce do Brasil, localizada em uma vila com cerca de seis mil habitantes. No último dia 28 (quarta), foi realizada uma barqueata na localidade em apoio ao movimento.

“Os manifestantes denunciam que a dragagem prevista pelo Ministério dos Portos e Aeroportos para manutenção e aprofundamento do leito do Tapajós ameaça não apenas o meio ambiente, mas também o modo de vida tradicional das comunidades ribeirinhas e indígenas.” (Mídia Indígena Oficial)

Segundo o movimento, não houve consulta prévia à população. Ele realça que os rios não são apenas caminhos para se passar, mas envolvem todo um ecossistema que abrange também o Aquífero Alter do Chão, importante reserva de água doce subterrânea do mundo. E ainda, os rios da Amazônia mandam água para outras regiões do Brasil, cujo impacto pode ser irreversível, e que aquilo que afeta a região do Tapajós impacta o restante do Brasil.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

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