Aida Franco de Lima – OPINIÃO
O feriado da Independência dos EUA, 4 de julho, ficou marcado pela tragédia que tomou conta de parte do Texas, na noite da véspera e na sexta, quando os festejos deram lugar a buscas por desaparecidos com o transbordamento do Rio Guadalupe. O curso d’água atravessa vários condados, tendo como ponto central o condado de Kerr.
A população foi pega de surpresa com o nível do rio subindo em torno de nove metros em apenas duas horas. Na região, uma área usada há mais de cem anos como local para acampamento de verão de comunidade cristã estava lotada de crianças e adolescentes, sendo um agrupamento formado por meninos e outro por meninas, com uma média de 750 participantes.
O acampamento Mystic, exclusivo para garotas, foi surpreendido pela água, e 27 vítimas, entre campistas e monitores, que estavam acampadas em área mais próxima ao rio, foram dados mortos. Entre os quais o diretor do local, Dick Eastland, que tentou salvar as vítimas. Já foram confirmados 104 óbitos em todo o Texas.
Essa é uma das piores tragédias da história recente daquele estado. Tal situação se configura o que se denomina evento climático extremo, totalmente fora do padrão, em que a população é pega de surpresa. Está interligada ao desequilíbrio ambiental, o qual é negado por muitos gestores, inclusive Trump.
O presidente americano, que prestou condolências e enviou esforços federais ao Texas, é negacionista climático, considera que o aquecimento global é uma fraude, e retirou os EUA do Acordo de Paris, em que as grandes potências pactuam pela redução do aquecimento global.
Obviamente que diante de tragédias o mais importante é salvar vidas. Mas estamos em um cenário em que os cientistas alardeiam o quanto podem sobre o impacto que as intervenções na natureza provocam na sobrevivência humana. Não é momento de buscar culpados, porém também não há como encontrar inocentes quando nos deparamos com tomadores de decisões que insistem em negar aquilo sobre o que a ciência alerta e a natureza cobra.
A área em que havia o acampamento, cerca de 135 km de San Antonio, o Camp Mystic foi fundada em 1926 por E. J. “Doc” Stewart, um técnico de futebol americano da Universidade do Texas. Dick e Tweety Eastland é terceira geração da família que cuida do local, adquirido em 1939. Somente por três verões os acampamentos foram interrompidos, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o espaço foi alugado pelo governo americano. Isso significa que por quase um século o local era considerado seguro. O cenário mudou, literal e infelizmente.
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