Dois adolescentes envolvidos no acidente ocorrido na Avenida Felipe Wandscheer, na sexta-feira, 24, foram ouvidos pela Polícia Civil. A batida da Mitsubishi Pajero contra uma árvore resultou na morte das estudantes universitárias Flávia Saccomori, 18 anos, e Júlia Dastch, 17 anos. Ambas estavam no banco da frente.
Conforme informações colhidas pelo delegado William da Rocha Assunção, da 6.ª Subdivisão Policial (SDP), os jovens relataram que estavam em uma festa em uma chácara situada na área rural de Foz do Iguaçu, quando o condutor do veículo convidou três pessoas para sair e comprar bebidas energéticas.
De acordo com os depoimentos, quando o grupo deixava o local, outros adolescentes quiserem acompanhá-los. Inicialmente, o motorista resistiu à ideia, contudo acabou aceitando, e o veículo saiu com nove passageiros, alguns no porta-malas.
Com base em imagens de câmeras de segurança, a polícia constatou que, ao fazer o trajeto no sentido bairro-centro, a Pajero ultrapassou um carro pouco tempo antes de bater contra uma árvore, situada na altura da antiga churrascaria Cabeça de Boi Campestre, perto da rotatória que fica no cruzamento das avenidas Felipe Wandscheer e Maria Bubiak.
Leia também: Acidente na Felipe Wandscheer: quatro vítimas continuam hospitalizadas –
Segundo a polícia, ainda não foi possível saber a velocidade do SUV. O delegado Assunção diz não haver imagens do momento da batida, somente anteriores ao choque, as quais indicam que o carro poderia estar em alta velocidade. “Pelas imagens, apenas um veículo envolvido no acidente está ultrapassando outro veículo. Depois que ultrapassou é que aconteceu o acidente”, explica.
As imagens estão sendo encaminhadas para o Instituto de Criminalística na tentativa de aferir a velocidade da Pajero.
Depoimentos prosseguem
Ainda de acordo com o delegado, o fato de o motorista transitar com nove pessoas no carro e ter consentido em dirigir já implica imprudência e se constitui homicídio culposo — quando se causa a morte de uma pessoa sem intenção, em um contexto de imprudência, negligência ou imperícia, conforme previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro.
Como não foi feito teste do bafômetro, não é possível afirmar se o condutor estava alcoolizado. Conforme Assunção, quando os policiais chegaram ao local, o motorista já havia sido socorrido e levado a um hospital. No decorrer do inquérito, serão averiguados os motivos de o procedimento não ter sido realizado na unidade hospitalar, mas sabe-se que o exame precisa ser feito com o consentimento da pessoa.
A coleta de depoimentos prossegue durante a semana. Segundo o delegado, outras oitivas já estão agendadas, a maioria nesta sexta-feira, 31. Ainda nesta quarta-feira, 29, o motorista do carro que foi ultrapassado pela Pajero será ouvido.
No Hospital Municipal Padre Germano Lauck, segue internado apenas o condutor do veículo. Outros cinco adolescentes que ficaram feridos já foram liberados. O acidente causou comoção na cidade e diversas manifestações de solidariedade às famílias das universitárias foram feitas.


Sinto pelo pai que liberou o carro para este jovem. Provavelmente ele relatou para o país que iria na casa de um amigo.