O risoto de frango, também conhecido como galinhada, pode tornar-se oficialmente um dos pratos típicos de Foz do Iguaçu. Pelo menos foi isso o que mostrou uma pesquisa realizada pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR) — Campus Foz. Conforme o levantamento, 67,4% dos entrevistados apoiam sua oficialização como patrimônio alimentar, contra 13,3% de opiniões contrárias e 19,3% em dúvida.
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Realizado com apoio do Observatório Nacional de Turismo Sustentável (Itaipu Parquetec) e Sebrae/PR, o estudo coletou 464 respostas válidas de moradores acima de 18 anos, entre outubro e novembro de 2025. Os respondentes representam todas as 12 regiões administrativas da cidade.
O consumo do prato é amplamente difundido, com a grande maioria dos participantes (91%) da pesquisa relatando que já o consumiu em Foz do Iguaçu. Além disso, 67,7% afirmaram que consomem a iguaria há mais de dez anos, sendo 24% há mais de 30 anos.

Risoto ou galinhada?
Uma das perguntas estava relacionada ao nome do prato. Segundo o levantamento, 43,6% chamam de risoto de frango; 39,3%, de galinhada; e 14,4% usam ambos os termos.
O consumo predomina em casa (68,7%) e na residência de familiares ou amigos (59,4%), com preparo por parentes (66,3%) ou pelos próprios entrevistados (53,4%). Eventos comunitários somam 24,5%. Por fim, apenas 12,7% disseram ter consumido a iguaria em restaurantes.
Esses dados mostram que o prato está fortemente enraizado na vida familiar e social de Foz do Iguaçu, embora também haja percepções críticas que enriqueçam a compreensão sobre o lugar que a comida ocupa na vida dos moradores.

Memória afetiva
Um dado relevante levantado na pesquisa é que 64,8% dos entrevistados relataram que o prato desperta memórias afetivas, sobretudo familiares.
A coordenadora do Projeto Cozinhas de Foz do Iguaçu e professora do IFPR, Paola Stefanutti, ressalta que esse dado revela o vínculo simbólico e cultural do risoto de frango com o iguaçuense — nas refeições familiares, em eventos comunitários ou no cotidiano. “Esse resultado evidencia um prato que ultrapassa a dimensão alimentar e se consolida como expressão de identidade, pertencimento e vivência local”, complementa.
Paola ressalta que um prato típico não precisa ser originário ou exclusivo da cidade, mas vinculado ao pertencimento e consumo local.

Conclusão e próximos passos
Os próximos passos do projeto envolvem sistematizar e divulgar os resultados da consulta pública, além de aprofundar o diálogo com profissionais da gastronomia, setor de turismo e comunidade local. “A ideia é que esses dados subsidiem ações futuras para fortalecer a identidade gastronômica de Foz do Iguaçu, contribuindo para a valorização cultural e estratégias de desenvolvimento turístico e econômico”, explica Paola.
Por fim, o estudo sobre o prato avança com um trabalho de conclusão de curso (TCC) no Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia do IFPR — Campus Foz do Iguaçu. O objetivo é analisar o risoto de frango a partir de jornais locais, investigando o seu registro histórico e as festividades associadas ao prato.
Paralelamente, o material será encaminhado ao CEPAC (Conselho Municipal de Patrimônio Cultural) para análise técnica e deliberação quanto aos encaminhamentos cabíveis.
Sobre o prato
O prato circula em Foz há mais de 50 anos, coincidindo com migrações durante a construção de Itaipu (décadas de 1970 e 1980), quando imigrantes de vários estados ressignificaram receitas no contexto local. Parte do Projeto Cozinhas de Foz do Iguaçu, a pesquisa identificou a iguaria como recorrente em relatos familiares e acervos jornalísticos.
Esses grupos trouxeram consigo práticas alimentares diversas, que foram redefinidas no território e incorporadas ao contexto alimentar local. O prato se apresenta em diferentes contextos de consumo, transitando entre o dia a dia e datas comemorativas, o que demonstra sua versatilidade.

