A emigração permanente ou temporária de trabalhadores rurais da Argentina, em direção aos estados do Sul do Brasil, está gerando preocupação na província de Misiones.
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Nessa terça-feira (10), os veículos de comunicação da província reproduziram declarações da secretária-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores Rurais (SUOR, na sigla em espanhol), Ana Cubilla.
De acordo com Cubilla, pequenas cidades da Argentina, nas proximidades da fronteira com o Brasil, estão ficando sem trabalhadores no campo. Tal situação afeta a colheita de cultivos importantes para a economia local, como a erva-mate.
“Precisamos internacionalizar o assunto, porque aqui ninguém nos dá bola. Este governo nacional, com os ajustes, não se importa com o cultivo da erva-mate, com o trabalhador rural ou com o produtor”, afirmou Cubilla.
Conforme a dirigente, a crise no campo em Misiones e outras partes da Argentina ganhou novas proporções após a posse de Javier Milei, em dezembro de 2023.
Logo em seus primeiros meses de governo, Milei desregulamentou o funcionamento de órgãos como o Instituto Nacional da Erva-Mate (INYM) e eliminou incentivos aos produtores.
As ações tiveram como impacto o aumento de custos para a produção. Paralelamente, o fim da política de preço mínimo na Argentina fez com que, para pequenos e médios agricultores, a atividade ficasse inviável.
Da Argentina para o Brasil
Ana Cubilla citou dados publicados, no fim de semana, pelo jornal brasileiro Folha de São Paulo. De acordo com a Folha, o número de novos trabalhadores argentinos registrados no Brasil saltou de uma média de oito mil por ano para 40 mil em 2025.
Segundo Cubilla, a remuneração paga no campo no Sul do Brasil supera amplamente os valores pagos na Argentina. “Vai custar recuperar essa mão de obra, porque não convém a ninguém trabalhar aqui na colheita da erva”, indicou.
Para ler a matéria do portal Misiones Online (em espanhol), com as declarações da dirigente, clique aqui.

